sexta-feira, dezembro 2

Meus senhores: O Imbergílio!


O Imbergílio é um gajo do porto. O típico tripeiro. Mora na Rua das Pereiras, 66 – uma transversal à Rua de Camões. Uma casa antiga, tipo T2, que era do falecido tio Armindo, que nunca lhe deu primos. Ficou ele com a casa.
Rapaz na casa dos 30, mais para cima do que para baixo, é um tipo que conhece toda a gente das redondezas e sem grandes inimigos. A mãe, Dona Aurorinha, viúva do “Teixeira da guarda” (foi policia muitos anos) era também muito estimada por ali.
O Imbergílio para habitualmente no Sport, um café, com bilhares na cave, onde o pessoal da corda se encontra.
Hoje foi lá tomar o Cimbalino…precisava de falar com o Cepeda. Tinha ficado de lhe arranjar um carro. Começava a desatinar ter que andar sempre a cravar ao patrão o furgão da firma… e para o aparato não ficava nada bem andar com a velha bedford.
Pediu o café ao Vasco, sentado na mesa do costume, estrategicamente colocada numa ponta do café e junto ao vidro. Assim, dali controla não só quem passa por fora, como as entradas e saídas no café. Estava distraído a tomar o café e a ler a capa d’ “O Jogo” , do cliente em frente, quando ouviu: “Ó ‘bergílio”… Era o Cepeda. “Arranjei-te a máquina, ora bê” – e apontou para a janela. Nem ele que sempre ambicionava o melhor, acreditava no que estava a ver…. Afinal de contas ele tinha posto o limite de 750 euros para gastar (ia ficar a dever quase 200 euros ao Belarmino e claro, 350 à Dona Aurorinha). Lá fora um Fiat Uno azul brilhante com eleron à cor que até parecia novo. Ele sempre tinha gostado dos Unos…Uma nova fase da vida ia começar. Atenção garinas…Já dentro do carro confirmou: Volante e manete de velocidades com capa de couro, estofos com umas capas azuis com riscas vermelhas e uma aparelhagem que berrava do melhor! Contas feitas, abraço ao amigo “Ó Cepeda, és do milhor” – “Bou-te pagar uma francesinha no Tabares…”. E disto isto pôs-se a andar…Tinha que meter gasolina e ir a casa da Dona Aurorinha para ela ver a máquina. “Bês como o teu filho se tá a safar?”. Ainda hoje tinha que ver se encontrava a Esmeralda… Quem sabe saía logo com ela… e finalmente podia ir para as palmeiras “Bêr a foz”, pois a Bedford sempre tivera que entregar ao final da tarde. E, como tinha dito ao Cepeda com aquele sorriso que lhe mostrava a falta do dente, “os bancos até rebaixo!”.

2 comentários:

Ana disse...

Eu parar parar... é mais nos semáforos e nos stops!!

Anónimo disse...

eskecestet du Lourenço k é o primo do Cepeda..... ñ t pods eskecer destes promenores...!!! grande jornalista que me saiste!!!! lol
;);) (;