Sexta-feira, Dezembro 14

Estou um bocadinho farta do Pai Natal...


Era Dezembro e todos esperávamos que a magia acontecesse.
Da cozinha quente chegava-nos um cheiro doce a rabanadas acabadas de fazer, envoltas em canela, fumo e calor do fogão de lenha de casa da minha avó.
O presépio magnificamente simples fazia-nos lembrar a essência e a verdadeira importância do Natal.
Todos os anos, o Avô esperava por nós e juntos íamos pela serra apanhar musgo verdinho e húmido nas sombras dos pinheiros, entre as pedras escondidas e em lugares únicos que só o meu avô conhecia.
Depois do musgo era a cortiça, para montar o estábulo igual ao de Belém. Então, num misto de medo e excitação, entravamos sorrateiramente num terreno que não era nosso, um de nós ficava de vigia, e o avô descascava o sobreiro com mestria de rapinador.
Era uma tarde tão bem passada com uma intimidade profunda de sentimentos puros…
Voltávamos com as unhas pretas e a alma clara cheia de gargalhadas francas e simples, e aquilo fazia-nos bem.
Forrávamos o armário com uns panos verdes, cuidadosamente lavados de um ano para o outro, e espalhávamos o musgo. A avó montava o estábulo e,
atenção, muita atenção, que íamos desembrulhar o presépio.
Todos os anos era como se fosse a primeira vez que o víamos. Abríamos a boca de espanto e o coração enchia-se de uma inexplicável ternura.
Era tão bonito montar o presépio em casa dos meus avós…
O avô desembrulhava o S. José, fazia-nos ver que o importante é acreditar nas pessoas, ser humilde e responsável.
Era a vez da avó desembrulhar a imagem de Maria. Era tão bom desembrulhar a imagem de Maria. Sentíamo-nos protegidos e contentes. A minha avó fazia-nos ver que a coisa melhor do mundo é o amor de mãe. É mágico e poderoso, eterno e indestrutível, é puro e incondicional.
O manto azul de Maria já tinha manchas do tempo, como as mãos da minha avó, mas era tão bonito na mesma.
Depois um de nós punha o burro, outro a vaca, e o mais pequenino punha a estrela. Houve um ano que me calhou a mim pôr a manjedoura, ainda me lembro da minha alegria…
E o menino Jesus?
O menino Jesus era o meu pai que punha, mas só na noite de Natal.
Esse ano não foi diferente dos outros, ou foi, foi sim, era sempre diferente e impossível de acreditar.
Depois da Missa do Galo e antes da ceia, o meu pai foi pôr o menino Jesus nas palhinhas e a magia aconteceu, mais uma vez a magia aconteceu:
De repente, o nosso coração enchia-se de fé e de luz e a nossa alma emanava alegria e amor pelo Deus Menino que nasceu.
Era Natal.

Terça-feira, Novembro 6

Sábado que vem

- "Nunca dizes nada..."
- "Nunca avisas..."
- "Para a próxima telefona..."
- "Manda mails"

Não tenho jeito nenhum para me fazer publicidade!

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Sempre quero ver quem aparece.

Terça-feira, Outubro 30

Destino

Não acredito no destino.
Acredito que as coisas acontecem para delas tirarmos uma experiência de vida, boa ou má, o que é diferente da imposição de predestinação.

Domingo, Outubro 28

Quando eu morrer

Quando eu morrer partilhem o meu sorriso e as minhas recordações.
Avaliem a tristeza e a alegria.
Façam lotes das saudades, das lágrimas e das angústias.
Sorteiem momentos, histórias e gargalhadas.
Dividam ideias, planos e desejos.
Dêem tudo o que for material, caro ou barato, bonito ou feio.
Porque é muito melhor ser do que ter.

Partilhas II

Porque é que "a partilha" só assim é tão bonita e no plural e em família são tão feias?

Quarta-feira, Outubro 17

Partilhas


Quando tive o meu filho, soube logo que queria ter mais um, dois ou três.
Quantas vezes de noite ficava a admirá-lo, perguntando-me como é que tinha sido capaz de criar tal obra.
Era um sentimento inexplicável, maravilhoso, sentia-me a pessoa mais realizada e agradecida de todo o universo.
Ao mesmo tempo, tinha uma dúvida terrível: achava que se tivesse mais filhos não conseguiria gostar tanto deles como do primeiro.
Claro que quando nasceu a minha filha o amor ainda estava inteiro para lhe dar.
E estaria de novo caso tivesse tido mais filhos.
E ainda permanece intacto para os dois.
Eu não sabia que o amor não fica mais pequeno por o partilharmos.
Dá-se tanto e não se gasta!

Quando escrevi o meu primeiro livro, soube logo que queria escrever mais dois ou três.
Quantas vezes de noite ficava a admirá-lo…

O meu próximo livro sai em Janeiro, pela Porto Editora.

As notícias são boas quando as recebemos, mas passam a óptimas quando as partilhamos.

Sexta-feira, Outubro 12

Arrumações


As coisas que eu descubro nas minhas arcas...

16-8-1969
Nº. 12
5 Escudos!




Terça-feira, Outubro 9

Aflições

Ontem assisti a uma cena que pensava que só existia nas novelas, em que toda a gente diz a toda a gente o que pensa sem papas na língua e sem qualquer tipo de constrangimento.
Fiquei seriamente aflita. Odeio esses confrontos. Cada vez mais.
Começo com taquicardia e fico num embaraço extremo, mesmo que a conversa não seja comigo.
Todas as pessoas que assistiram ficaram incomodadas. Profundamente incomodadas.
No fim de ser muitíssimo injusto e arrogante saiu.
Sem dizer nem bom dia nem boa tarde.
E todos os que ficámos lá passamos o resto do dia atordoados e com uma sensação de desconforto, embaraçosa e humilhante.
Sem culpa nenhuma.
Não compreendo o que leva uma pessoa a ser profundamente mal criada, propositadamente desagradável e antipática. Mesmo que tenha razão, que ainda por cima não era o caso.

Segunda-feira, Outubro 1

Outono

Já sei!
Vou apanhar todas as folhas da minha rua,
vermelhas
amarelas
castanhas
esquecidas
esvoaçantes
e vou fazer o meu livro mais bonito, genuíno e colorido.

Quinta-feira, Setembro 27

Cunhas, só nos sapatos



Sou com todas as minhas forças a favor da igualdade e da justiça.
Não por uma questão política, mas por respeito, e também por uma educação profundamente cristã, seriamente cristã, onde os conceitos são vividos na prática do dia a dia e não só lidos no catecismo.
Mesmo que na suposta condição social onde cresci se saiba que nem sempre é assim.
É utópico, ingénuo, quimérico, até acriançado, mas eu acho que o mundo devia ser justo por natureza.
E ainda estranho quando não é.
E ainda me revolto quando isso não acontece.
E também me espanta que os outros se espantem com as minhas convicções, que me prejudicam quase sempre, e não fazem de mim melhor pessoa.
Para mim é evidente que tenho que esperar duas horas como os outros na fila do hospital, e que não é diferente só por a minha prima ser a médica de serviço.
Para mim é claro que tenho que esperar meia hora na fila da catequese como os outros e que não é por ser catequista que posso passar à frente – pelo contrário.
Para mim é lógico não precisar de cunhas para o meu filho ficar numa boa turma, com um bom horário, porque na dita lógica da escola, ele precisa e merece-o.
E as bocas abriram-se de espanto ao perceber que eu não tinha metido cunhas, e a minha boca abriu-se ainda mais ao perceber que só com cunhas é que isso acontecia.
E todos olharam para mim pasmados como se eu fizesse parte de um grupo político estranho, onde todas as pessoas acham que são iguais e se tratam por tu e por pá.
As pessoas são diferentes sim, no seu intimo, nos seus valores, no seu desempenho.
O que não equivale a passar por cima dos outros.
O que não é igual a prejudicar alguém em privilégio próprio.
O que não lhes dá o direito, nunca, de não respeitar o próximo, porque é isso mesmo que nos torna diferentes, é o nosso respeito ao próximo.
E quase que peço desculpa, mas não compreendo quando assim não é.

Terça-feira, Setembro 25

A arca do enxoval


Chegou-me a nostalgia do Outono…
Lavei as toalhas de praia, ainda encontrei uma série de búzios e pedrinhas com cheiro a mar, arrumei os cestos, deixando escapar o odor intenso a protector solar, fazendo prolongar um bocadinho o Verão, prendi fotografias alegres e de cores fortes no quadro de cortiça da salinha pequena e ainda fechei os olhos para me sentir embalar numa onda salgada e tão fria…
Passei cera aos móveis, soltando-se aquele cheirinho a casa das tias velhas, pus brilho no chão, que já não é encerado mas tem verniz, e lembrei-me de um instrumento que havia lá em casa que tinha umas rodas grandes que giravam desencontradas e que puxava o lustro das tábuas corridas meticulosamente enceradas.
Também havia outro auxiliar de limpeza - uma sabrina - que era o parente pobre do aspirador, não tinha corrente eléctrica, mas agora as sabrinas são os sapatos da moda…
Areei as poucas pratas – em casa dos meus avós era um dia inteiro só para as pratas e havia criadagem de farda, cabelo preso e luvas –mas agora há um liquido maravilhoso que não suja as mãos que substitui o algodão mais o jornal, o pano de flanela e a criada.
Fui buscar uma mantinha à arca, que as noites já são frescas e a idade começa a pesar, e fiquei sentada, a viajar no tempo com cheiro a alfazema.
Gosto muito da minha arca do enxoval.

Gosto do conceito de arca do enxoval (é claro que aos doze anos quando a minha tia avó me dava paninhos rendados eu odiava a minha arca).
Até pensei que a minha filha está grandinha e não tem arca, nem sequer tem enxoval…
Maravilhosos lençóis de linho com um M e um L bordados a ponto cruz, tão perfeitos que até os posso pôr do avesso, que a minha mãe mandou bordar na Lixa.
Outros lençóis com flores, sem flores, com folhas, com cruzinhas, rendilhados, bordados a ponto grilhão, ponto cheio, pé de flor, e outros que não me lembro.
Toalhas de mesa, quadradas, redondas, ovais, brancas, azuis, com bainha aberta, com relevo, sem relevo.
Naperons vários, para o cesto do pão, para o tabuleiro do café (sim, porque a minha mãe ensinou-me que nunca se põe um tabuleiro sem pano – e o que é certo é que ponho sempre), paninhos com divisórias para aperitivos, para os copos, de todas as formas e tamanhos imaginários.
Adoro o meu enxoval, apesar de não usar metade, não porque não queira, que as coisas são para lhes dar uso, mas porque não tenho tempo. Não tenho tempo de passar lençóis de linho, que só ficam bonitos se forem bem passados, não tenho tempo para lavar à mão as toalhas de mesa, os naperons quase já não têm utilidade, mas gosto do meu enxoval.
Lembro-me da minha mãe o bordar, lembro-me da minha avó mo dar, lembro-me das minhas tias me darem a escolher, levando-me ao quarto das cómodas com cheiro a naftalina.
Também gosto das coisas novas e práticas que fui comprando, das das colchas das camas dos miúdos com cores fortes que quase não precisam ser passadas a ferro, dos lençóis com elástico que prendem bem à cama, das toalhas de mesa engraçadas e modernas.
Mas sabe-me bem de vez em quando pôr um lençol com as minhas iniciais, pôr uma bonita toalha de mesa bordada com o pano do tabuleiro a condizer.
Eu só sei fazer ponto cruz. Não faço renda nem croché, muito menos ponto cheio ou bainha aberta, por isso os meus filhos, na arca do enxoval vão ter as minhas coisas, que chegam bem para todos, e vão ter mimo, recordações maravilhosas, atenção, gargalhadas e choros, dias alegres e tristes, porque a arca do enxoval tem a nossa história, dos nossos pais e avós, da nossa infância, é por isso que eu gosto tanto da minha…

Segunda-feira, Agosto 13

Até já



(clicar devagarinho sff -Desenho A.Seixas)

Quarta-feira, Agosto 1

A cidade feliz

Vi esta noite no meu sonho
sombras difusas, caras conhecidas.
O que para aqui transponho,
são essas memórias adormecidas.

Havia uma única lei:
Verdade, amor e amizade
estavam no texto d'El Rei
que fazia feliz a cidade.

Aquele díficil acordar,
roubou-me assim a utopia,
mas não o querer sonhar!

E acredito que um dia
um mundo com mais coração,
faça deste sonho... antevisão.

Sexta-feira, Julho 27

Parabéns, meu amor

Parabéns meu amor.
Parabéns por seres como és, o ser mais puro e verdadeiro que eu conheço.
Parabéns pela tua presença discreta e serena em todos os momentos da minha vida.
Parabéns por nunca te teres afastado da tua maneira de ser e pensar, do modo de agir e de estar, da maneira tão genuína como me amas e amas o que está à tua volta, com uma força que quem te conhece sabe que tens.
Obrigada por sossegares com a tua calma o meu espírito inquieto, e por me mostrares que só se alcançam as coisas que queremos com paciência e persistência.
Obrigada por me ensinares que tudo mas tudo merece respeito e nunca nada mas nada pode ser maltratado.

Obrigada por respeitares as coisas que gosto, tantas vezes diferentes das tuas.
Obrigada pelas recordações de infância e as desilusões de adulto.
Obrigada por me teres feito gostar da natureza e dos animais.
Obrigada pelos momentos tão felizes, mas tão felizes, e obrigada pelos momentos não tão bons, porque também e sobretudo esses têm posto à prova o nosso amor.
Parabéns pelos nossos filhos maravilhosos e por seres para eles o maior exemplo de dignidade.
Mesmo quando te digo que podias ser diferente, gosto mesmo que sejas assim.
Obrigada por gostares de mim, porque o meu amor sabes bem que o terás para sempre, e mais além…

Quinta-feira, Julho 26

A sombra do Chorão

Disse-me que aquilo de que mais gostava, era de ficar sem pressas, debaixo de um Chorão.
Não consegui responder e corei!

Quarta-feira, Julho 25

Atropelos

Só fui preparada para os grandes embates da vida,
aqueles mesmo trágicos, que viram a nossa vida do avesso,
põe-nos o coração de fora e a razão escondida,
e nos fazem pôr em causa a existência.
A esses sim, consigo dar uma resposta forte, digna e até agora consegui sempre vencê-los, umas vezes juntando-me a eles, outras conformando-me.
Mas tenho uma enorme dificuldade em lidar com os atropelos do dia a dia,

que não nos viram a vida, mas moem, desencantam, entristecem, angustiam, magoam…
É que os grandes embates, é a própria vida que os dá, os outros são as pessoas.
E isso é que dói.

Amizade virtual

A amizade virtual não existe; é uma contradição em termos, ou é amizade ou é virtual.

Segunda-feira, Julho 23

VIDA


Foram 5 minutos de intervalo entre um mail e um telefonema. Uma notícia muito má, outra óptima.

Tenho o coração dividido entre a tristeza e alegria e cheio de solidariedade.

É, em ambos os casos, disto que a vida é feita e é de vida que falo.

Sexta-feira, Julho 20

Três

Um
Se me contassem há um ano atrás, não acreditaria:
Ele é exemplar em várias facetas, amigo como poucos, verdadeiramente preocupado com o outro. Senhor de iniciativa, com uma capacidade fora do comum para o “trabalho é trabalho, cognac é cognac”. Ainda assim, teima em fazer do trabalho algo tão saboroso quanto o melhor “Rémy Martin” e do momento do digestivo pretexto para melhor ajudar quem sente que precisa.
Capaz de ser dinamizador no trabalho e na amizade para feitos fora-do-comum, foi atropelado na alma que não consegue ver o mal nos outros. Provavelmente o seu único “defeito” de origem que fez com que um e outros o atraiçoassem de forma soez.
A sua capacidade e os verdadeiros amigos, bem como a justiça (nas suas diferentes vertentes) encarregar-se-ão de o repor no (seu) lugar onde é feliz ajudando os outros.

Dois
Hoje em dia quem está equipado com determinado tipo de armas “safa-se”. Quem pelo contrário não está, tem grandes dificuldades de se impor nesta sociedade, ainda que com virtudes bem maiores de que essas armas da moda. Ela merece, ela luta, mas é pisada por uma vida para a qual continua a olhar com ternura. Em dia de entrevista, mais um sorriso, mais uma esperança, mais um exemplo dado aos que tem a sorte de a conhecer. Eu que a conheço ainda melhor do que julga, sei por isso mesmo (que não por artes divinatórias) que a esperança tem razão de ser.

Três
Nunca tinha passado por nada parecido: A maior lição de vida foi-me dada por quem não sabia se a teria muito mais tempo.
Eu sei, eu acredito eu quero ouvir-te mais. Quem me conhece sabe a facilidade com que sai a lágrima. Neste caso tem sido umas quantas que secarão quando te vir e ouvir de novo a sorrir como só tu sabes. No registo escrito, uma das últimas entradas diz: "(…) mas sabes estou feliz, fui feliz e valeu sempre a pena”
Estou à tua espera para transformar esse passado em futuro e continuar a aprender contigo como se vive. Volta depressa, por favor!
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Obrigado aos três. Contem sempre incondicionalmente comigo.

Quinta-feira, Julho 19

Pensando bem...


Está um dia de sol maravilhoso, a claridade iluminou-me a alma,
o calor aqueceu-me o coração.
Os gatos que resolveram morar no telhado da minha garagem esticam-se preguiçosos,
os pássaros madrugaram mais contentes e afinados do que o habitual.
Tenho a casa arrumada.
Amanhã é sexta-feira.
Não me dói nada.
Sinto o meu filho contente e a minha filha sorri muito.
Pensando bem, tenho é que agradecer, agradecer...

Segunda-feira, Julho 9

Estrelas ou pirilampos


Gosto do Verão, do calor que faz rir os olhos, de um mergulho nas ondas altas de sal que me fazem gelar os tornozelos e as emoções.
Gosto de fechar os olhos e sentir o subir e o descer do mar e ficar a ouvir os risos ao longe na praia.
Gosto do vento que me canta ao ouvido.
Gosto da areia dura onde deixo a minha marca, gosto da areia mole onde posso fazer castelos, como aqueles que ainda existem nos meus sonhos e me fazem sonhar com sorrisos.
Gosto dos pirilampos, é assim um animalzinho mágico, que nos prende à infância, parecem estrelas que conseguimos apanhar. Ao amanhecer soltamo-los, como soltamos os sonhos, como desaparecem as estrelas, como se afasta a lua, como fogem as ilusões.

Quarta-feira, Julho 4

O meu túnel

No meio do túnel não há luz. Depois de algum tempo, não sei para onde é a frente, o norte. Sinto-me perdido. Milhares de pequenos e estreitos caminhos trouxeram-me até aqui. Ainda respiro, mas já o faço com dificuldade. A possibilidade de me magoar, quem sabe de forma definitiva, faz-me parar. Sento-me no chão frio e húmido. Não existe um som, um vislumbre de luz, uma aragem. O exterior não existe para além do solo que me toca o corpo. Ao fim de algum tempo sinto uma espécie de desespero, que não de medo, porque este apenas se sente conhecendo os contornos do opositor. Esbracejo tentando tocar em algo, mas nada.
Negro, silêncio, vazio, nada.
Inspiro profundamente e tento acalmar-me. Revejo mentalmente os passos que me trouxeram aqui. Onde apanhei o caminho errado? Onde me deram instruções falsas? Talvez ali, naquele dia ou ainda antes, quando confiante nem hesitei naquele cruzamento da vida.
A verdade é que se fosse agora, teria viajado doutra maneira; olharia cada avenida, rua ou caminho com a intensidade que me permitisse neste momento relembrar tudo de memória. Mas não, não foi assim, deixei-me andar como uma pedra que rola montanha abaixo e à qual o relevo faz desenhar o trajecto sem qualquer interferência sua!
Creio que está aprendida a lição de como viajar. Não apenas pelo que me seria útil agora, como pelo contentamento de não ter sido mera "rolling stone" e de que só me tinha guiado por caminhos escolhidos.
Seria dia agora, ou noite? Tenho frio. Estou só.

Adormeço exausto, no sono irrequieto daquele que não está em paz.

Acordo em sobressalto e gelado. Levanto-me porque me doem as pernas e decido que nada tenho a perder, que vou escolher o meu caminho agora.
Assim faço... Começo lentamente e a medo, aumento o ritmo pois pareceu-me ouvir um som, perceber uma luz... Corro agora... primeiramente como o atleta da maratona, pausadamente, depois cada vez mais depressa.
Corro, corro muito.
Seria uma luz? O coração bate pela expectativa e pelo cansaço de quem não corre assim há muito tempo.
Respiro (seria aquilo respirar?!) descontroladamente. Dói-me tudo, menos a vontade.
É luz o que vejo, é um som conhecido o que ouço! Corro, corro mais, tropeço, caio... levanto-me com dor e continuo a correr.

O túnel tinha fim! Descobri a luz porque ela existe, porque nada é tão escuro como o túnel que nós próprios criamos e porque acreditei que a porta estava em mim.

Sexta-feira, Junho 29

Toma lá...

Porque segunda é dia 2, porque não terei acesso à net, porque ele merece, porque eu quero e porque o Camões não é para aqui chamado…

Era uma vez um rapaz que morava numa grua que tinha uma cabine gigante e confortável, bem perto do céu.
O rapaz tinha uns grandes caracóis largos e desalinhados e uns olhos com brilho de cristal. Adorava a sua casa, porque estava muito acima da vida e das pessoas, e assim podia vê-las sempre que quisesse, e tentar percebê-las, mesmo que às vezes não conseguisse - é que o rapaz tinha uma enorme dificuldade em compreender o mal.

Passava os dias a carregar num botão que o trazia cá a baixo para vir buscar sorrisos nos dias quentes e lágrimas nos dias de chuva, palavras nos dias de festa e silêncios nos dias tristes.

"Hão-de fazer-me jeito" - pensava ele.
Ao fim do dia lá ia ele outra vez. Sentia-se confortável em sua casa, tinha um grande sofá cor de laranja a condizer com a cor da grua e ele deitava-se de lado, com a cabeça mais alta, para não perder pitada do mundo. Então com todo o cuidado, abria a sua caixinha forrada com um papel de flores coloridas e perfumadas e punha lá dentro as coisas que tinha trazido da terra, depois deixava-se dormir debaixo das estrelas cintilantes como a sua alma de luz.

Ás vezes acordava cedo, ainda de madrugada e sentia alegria na terra, então ficava feliz e punha a música alto, cantava e dançava até o sol o queimar.
Mas se por acaso se levantava e via tristeza no olhar de alguém, o rapaz ficava com a alma cinzenta como dias de nevoeiro.

Ora um dia, quando chegou a casa, foi abrir a sua caixinha, e ela estava vazia…

Todos os pedaços bons do mundo que ele tinha apanhado tinham ido para o seu coração…

Qual fonte, qual quê!

Porque Domingo é dia 1, porque não terei acesso à net, porque ela merece, porque eu quero, porque o Camões não percebia nada de Leonores!


Realça tudo o que conte
Leonor com ternura,
a carinhosa criatura.


Tem na cabeça o dote,
no modesto coração é grata,
faminta alma sensata.
Escrevinha num papelote
o que no ninho anote.
Nunca perde a candura,
a carinhosa criatura.


Nobre alma canta,
sentimentos de rebuçado,
que sofrem demasiado,
mas com doçura tanta,
que comove e encanta.
E só vê-la cura,
a carinhosa criatura.

Quinta-feira, Junho 28

Sentimentos

Às vezes não sei o que fazer com os sentimentos.
Parecem novos, como se houvesse algum sentimento sem nome, ainda por inventar…
A felicidade gosto de dá-la, a alegria de partilhá-la, o medo… Procuro não pensar no medo.
A raiva, a desilusão, e outros que tais, não os vou mencionar, para fingir que não existem, mas esforço-me por não os sentir.
A dor, enquanto sentimento, ahh se eu conseguisse transformá-la em amor…
Agora este sentimento, que não é pena nem compaixão, nem tristeza ou desilusão,
não sei que nome lhe dar, nem sequer como o tratar, não sei que lhe fazer, porque não gosto mesmo dele.

Terça-feira, Junho 26

Milagre, milagre!

Avisos da minha paróquia:



















Sou Católico, mas esta até a mim me espantou!

O assalto

São absolutamente cooperantes, cada um com as suas aptidões. Posso contar com todos para o assalto.
Reuniões frequentes, conivências sentidas, relógios acertados, esboços feitos, telefonemas repetidos, mensagens oportunas. Unidos no objectivo, determinados e em sintonia, saltamos de maus dias, para grandes alegrias. O dia não é hoje, o dia é todos os dias. Somos cúmplices prontos para o assalto:
O assalto à vida, com os meus amigos.

Segunda-feira, Junho 25

Palavras dos outros

"Sofremos mais hoje que as gerações passadas porque o estímulo da maquinaria, da multidão, da coisa impressa e do barulho desgastou os tecidos protectores dos nossos nervos. Há compensações: esta sensibilidade em carne viva ergue-nos a uma subtileza de percepção e de coordenação nervosa e muscular que somos capazes de fazer coisas absolutamente impossíveis aos homens primitivos e mesmo aos medievais. Ficamos na situação dos músicos, cujos 'ouvidos educados' os fazem sofrer com todos os sons que não sejam harmónicos: esses músicos pagam o crime da sensibilidade excessiva e possuem os defeitos das suas virtudes. Mas pensam lá eles em perder tais dons em troca de se livrarem dos sofrimentos consequentes? Não há homem moderno que queira desistir de uma sensibilidade que, se duplica o sofrimento, também multiplica os prazeres."

Will Durant - 'Filosofia da Vida'

Sábado, Junho 23

Parabéns Pai


Querido Pai,
Hoje quando a noite vier e o primeiro balão chegar ao céu, quero que saiba que é o meu. Vou deitá-lo ainda de dia, para ganharmos o concurso do primeiro a ver um balão de S. João. Se ele se incendiar, eu deito um foguete daqueles cheios de cores que fazem o céu ficar azul e verde, que fazem as bocas abrir-se de espanto e o coração encolher de medo.

Eu já não tenho medo pai, já não tenho medo dos foguetes nem dos balões, nem do cheiro a queimado, nem do barulho que me fazia estremecer.
Agora tenho medo de amanhã acordar e não ter o seu balão apagado no meu jardim, aquele que o pai me devolve todos os anos de madrugada, cheio de recordações que me fazem rir.

Quinta-feira, Junho 21

Atei um fio à lua

Atei um fio à lua para a poder ver sempre.
Vi-a no mês passado, na outra semana e ainda ontem.
Como é bonita a lua, como é bom tê-la para mim!

Vejo-a, pois claro.
Podê-la-ei até ver sempre da minha janela.
Vou puxar o fio, trazê-la para mais perto de mim...

Tenho um amigo que mora noutro país, muito longe:
Triste, não a vê faz muito tempo, porque a retenho aqui!
Combinei com ele - "Dou-te a lua, mandas o sol pr'a mim".

Desatei o fio da lua,
Aprendi que gostar não é amarrar:
É deixar que corra os seus trilhos e que depois volte a mim.

Regressou assim um sol forte e quente
que ganha sentido porque não aquece
apenas e só o meu jardim.

Segunda-feira, Junho 18

Ver a vida assim


`O-O´

Guardo estes óculos porque quero para sempre ver a vida aumentada, procurar o que de melhor as pessoas têm, desejar o sabor mais doce e o dia mais azul.
Descobrir o sorriso mais bonito e encontrar a palavra mais suave.
Levar a vida ao colo, tratá-la bem, para que ela me devolva todo o bem-estar.
Cantar o sol e beijar a lua.
Saber rir às gargalhadas.
Não ter vergonha de chorar.
Mostrar sentimentos, arrepender-me, pedir perdão, falhar e voltar a tentar.
Tirar partido de tudo.
Fazer crescer as imagens boas da vida e guardá-las, junto dos meus óculos.

Efeito secundário



Estive no evento de hoje à tarde com tanto sono, mas com tanto sono, que fiquei mais feio!

Os músculos nas pálpebras não me ficam nada bem. Mas resisti!

Terça-feira, Junho 12

Deu gajo, mas...

Dizem: É pá e tal, o gajo fala de coisas como o amor e a amizade, de florzinhas e do céu, mas nunca fala dele próprio.
Não estou nada de acordo com os estereótipos com que classificam as mulheres e os homens. Evidentemente que existem características mais comuns a um sexo do que a outro. Por vezes são tão comuns, que daí nasce a generalização.
Para mim o assunto ficaria por aqui, não fosse eu ter algumas das características do adversário bem vincadas na minha personalidade. A verdade é que também tenho as (más) geralmente atribuídas aos homens (ronco como um porco; adormeço no sofá; sou pré-olímpico em preguiça; digo asneiras; gosto de futebol; no automóvel não paro para perguntar o caminho a ninguém, quanto muito indico caminhos menos próprios a outros condutores; gosto de cerveja, vinho. ... e muitas outras de que não falo por conveniente recato).
Acontece que se tivesse que me definir (se isso interessasse a alguém escreveria um post, eheh) algumas das características que falaria em primeiro lugar seriam as tais "femininas". Sou um emotivo, temperamental, sentimentalão. Exponho-me; dou-me, não me armo em forte. Amuo, choro, rio sem razão. Falar de sentimentos, amores e amizades é o meu prato favorito. Sou "vidrinho de cheiro". Sou assim, e gosto, pelo menos quando não estou amuado. Acho no entanto, que algumas dessas coisas não costumam andar acompanhadas da volumetria que embrulha a minha alma, coração e o nervo central.
No outro dia, dizia-me alguém: - Ó pá, tu estás para aí com essa pose de macho dominante, mas (...)
"Pose" poderei ter (era também esta uma característica feminina já há muito partilhada com os homens), mas a culpa é da tal volumetria, por sua vez resultante de feijão e cerveja.
Agora sejam mansos nos comentários, porque aqui o menino abriu-se como uma debutante e pode amuar.
Isto serve também para todos aqueles que mesmo privando comigo, insistem em falar com o embrulho em vez de o fazerem com o recheio. É o que perdem!
Bolas(*), que raio de feitio!
(*)Este é um blogue de família, ou não sei bem o que usaria ali para substituir as bolas (isto, neste contexto, não me soou lá muito bem!)

Sexta-feira, Junho 8

Tempestade

Convidaram-me a participar na Feira do Livro num sítio especial.
Não sei se posso dizer que adorei, que foi a melhor história que li, que quero repetir, nem sei se consigo transmitir a enorme tempestade que se deu no meu coração.

“Vais contar a do Ruca? Podias contar, é tão fixe, conta a do Ruca, conta a do Ruca…”
A história que eu contava era decerto infantil para a sua idade, mas ele estava atento e mesmo não sendo a do Ruca, seguia a história, engolia-me a voz e contemplava-me com atenção de menino pequeno.
Quis tocar-me, mas não o deixaram.
Explicaram-me que por vezes a tempestade vinha violenta ao seu coração.
Tormenta abstracta, sem aviso nem porquê, impulsiva e esquizofrénica.
Ficou colérico, por segundos, o dia parecia ter deixado de existir e a noite, que entrava sorrateira, levou-lhe o pensamento, deixando-o só.
Quem o visse assim, cabelos de lua com vento norte, naquele corpo franzino e leve, não acharia possível que aquele ser humano transbordasse de si mesmo sem motivo ou aviso prévio.
Depois voltou a bonança, ele abraçou-se e bastou-se assim, a noite turvou e o seu olhar de céu calmo caiu sobre mim…

Tempo

Nunca na minha vida o tempo passou tão depressa como quando tive em casa um relógio de cuco Coreano*, que me informava na língua-mãe a passagem de todos os quartos de hora.

*Nem perguntem!

O jogo da vida


Continuando com os puzzles, chego à conclusão que há um que não consigo mesmo resolver: O meu! As peças não encaixam... Aparecem tantas que me parecem não fazer parte do todo e faltam-me demasiadas...

De vez em quando, quando parece que o jogo não avança, vem alguém, ouço alguma coisa que junta dois blocos. Tudo, então começa a fazer sentido... Depois volta o impasse. Acho que as peças não saíram de grande qualidade e chego mesmo a duvidar que algum dia consiga ter uma imagem completa.

Por outro lado, não será esse o sentido da vida? Jogar o jogo de mim mesmo, percebendo que para me resolver tenho que fazer encaixar tudo o que me rodeia, dar um nexo ao envolvente, criando assim o espaço onde eu e só eu caiba de forma lógica? Apetece-me desfazer tudo e começar de novo. Mas porei as minhas peças de lado e começarei a trabalhar à minha volta. Os outros são mais fáceis; percebendo-os, terei o meu puzzle pronto.

Quarta-feira, Junho 6

Puzzle


Não tenho grande paciência para puzzles. Pelo contrário, adoro "resolver" pessoas, principalmente aquelas de quem gosto. Hoje deram-me uma peça das difíceis... era toda azul/céu, apenas com um pequeno "farrapo" em branco deslavado. Eram nuvens de sonho, névoa de medo, ou o anjo que a vida te tirou?

Segunda-feira, Junho 4

Awakenings

Impressionante o que aconteceu com Jan Grzebski, o polaco que acordou ao fim de 19 anos em coma. É muito tempo, 19 anos! Muita coisa aconteceu durante este período. É natural que seja complicada a Jan, a apreensão total do mundo tal como ele é hoje. O fim do comunismo na Polónia, a entrada na Comunidade Europeia, lojas cheias de produtos aparecem em vez das que se lembrava onde existia apenas chá e vinagre. Mas o notável é onde ele põe a tónica, confessando-se espantado por "ver pessoas nas ruas a falar ao telemóvel, e a queixar-se constantemente". Uma referência ao material, palpável e que é indubitavelmente das grandes novidades do final do sec XX ainda mais pela sua disseminação - o telemóvel - e ainda outra, esta a que mais me chamou à atenção:
Apesar de todos os outros reparos que faz serem positivos, as pessoas "queixam-se constantemente".
Pois é; adormeceu num mundo muito complicado, de absoluta carência, de falta de liberdade e acorda num mundo de sonho, onde três filhos lhe deram onze netos que ao telemóvel lhe podem agora falar sempre que quiserem e dizendo o que lhe apetecer. No entanto e apesar disso, as pessoas "queixam-se constantemente"!
Mais do que o mundo, terão mudado as pessoas, pode concluir-se e aí duvido que para melhor. Importante, é que alguém que acaba de despertar de um sono de 19 anos, não lamenta o tempo perdido e pelo contrário, ausente da recente evolução humana, profere: "Eu, pela minha parte, nada tenho a lamentar"!

Sexta-feira, Junho 1

Criança

Se eu ainda fosse criança,
aninhava-me no teu colo quente,
fazias-me festas de veludo e davas-me doces beijos de mel...

Arquipélagos




Existe uma série de ditos que, por conhecermos desde sempre, nunca pomos em causa.
Um deles é, para mim, o "Nenhum homem é uma ilha".


Ainda que juntos formem arquipélagos densos, o homem no seu íntimo é só. Tem o seu próprio habitat, constituído por uma flora educacional, uma fauna civilizacional, e uma atmosfera própria. Sente de forma diferente dos seus semelhantes e por mais que destes se rodeie, constrói silogismos, conclui, sofre e ama de forma diversa. Tem gostos, hábitos, sentidos e padrões diferentes dos demais.


São as pontes o segredo da felicidade. É através delas que cada ilha se liga à outra. Acontece que em maior parte dos casos, os recursos de engenharia estão totalmente ocupados em tornar a ilha auto-suficiente. E quanto mais vemos as ilhas enfeitadas e cheias de construções recentes, melhor ficamos a saber que lhe faltam as pontes e que a sua biodiversidade está em perigo... Todos os homens são ilhas. O esforço de ligação entre eles deveria ser prioritário, mas as obras públicas, ufanas, vaidosas e egoístas, tentam mostrar a superioridade em relação ao vizinho. Perde a ilha, perde a vizinhança, perde a humanidade. E todos precisamos de todos, porque afinal, somos ilhas.

Quinta-feira, Maio 31

Excessos

De todos os prazeres de que me lembro, o amor é o único em que o excesso não faz mal.

Fica combinado?

Combinávamos assim: Se por um qualquer acaso eu não percebesse que precisavas de mim, tu dizias-me!

Poupança errada

Guardando-me por me evitar dar, não faz com que sobre mais de mim.

Distâncias

Nunca aqueles de quem gostamos estão tão perto de nós, como quando estão longe.

O essencial

Percebi que só posso esperar de determinadas pessoas aquilo que elas podem ou querem dar, o que não é forçosamente mau, se nos conformarmos com o essencial.
Tenho é a sensação que de mim é esperado muito mais.

Isso às vezes cansa-me.

Segunda-feira, Maio 28

Arco-íris


Por vezes, quando somos abalados pela vida é que reparamos nas maravilhas que estão a nosso lado e que no rodar constante dos dias não lhes damos o devido valor.
Gestos simbólicos, palavras carinhosas, mimos espontâneos passam a ter uma dimensão extraordinária e uma importância de conforto incalculável.
A natureza em toda a sua plenitude parece feita exclusivamente para nós, naquele dia, àquela hora aquele arco-íris foi posto naquele sítio de propósito para regalar os olhos e o coração de quem precisa. Se quisermos acreditar nisso, claro, mas é muito mais fácil quando se acredita.

Hoje, embalada pela vida, com a serenidade clara de quem já sofreu, gosto de olhar à minha volta e sentir a mesma beleza tranquila nas pessoas e sentimentos.
Gosto de confortar e mimar, ter a oportunidade de adoçar um minuto na vida de alguém que passa horas amargas.

Se eu soubesse desenhar um arco-íris, punha-o na tua janela.

Sábado, Maio 26

A viagem

Serve?

Esforça-te por sentir mais:

-->Pensando, podes (nem sempre) chegar a uma conclusão;
-->Sentindo, partirás do coração.

E uma vez que,

-->quando chegas, é tarde para escolher o ponto de partida;
-->quando partes, podes chegar a qualquer destino,

Toma atenção:
Como a tua vida é essa viagem entre a partida e a chegada, nada melhor do que bons princípios para uma boa jornada.

Vendas

O amor, pode por vezes impedir que se veja claramente o óbvio:
Quem ama, não suportará ver o objecto do seu amor sofrer. Muito menos ser a causa desse sofrimento, ou então...

Quinta-feira, Maio 17

É assim

Sentimentos como o amor e a amizade, ao serem cantados, rimam.
Assim e nesse universo, resulta sempre a prosa em verso.

Quarta-feira, Maio 16

Sonho

Se pudesse escolher um sonho,
Escolheria depressa acordar,
E acordado sonharia, risonho
O sonho que te quero dar.

Revelação importante

(recebido por email, tenho a obrigação de partilhar)

A terra é redonda e ponto final.

Sexta-feira, Maio 11

As grandes verdades são tão simples...

Si bô 'screvê' me
'M ta 'screvê be
Si bô 'squecê me
'M ta 'squecê be

Armando Soares(?), Amândio Cabral e Luís Morais(?)

P.S.: Embora não pareça, estou muito melhor!

Quinta-feira, Maio 10

Eu tinha avisado!

Na sequência do post anterior, confirma-se e agora é oficial:


Quarta-feira, Maio 9

El Principe

Uma das vantagens de ter um blogue, é podermos escrever quase tudo o que nos apetece. Assim, sendo, com os meus pedidos de desculpa aos mais sérios leitores, cá vai:








Recebeu o príncipe a notícia pela sua prima:

A senhora dos seus sonhos concordara em recebê-lo!

Ficou o príncipe de tal forma entusiasmado que largando a correr em passada larga pelos corredores do castelo aos gritos de "Viva Portugal", deu início a um processo que viria a figurar em todas as crónicas do Reino: El Príncipe, louco de alegria e correndo como se de um dragão fugisse, passou em frente dos aposentos do Conde Alberto, seu primo, que numa tentativa de descobrir finalmente o que o impedia de dormir, tinha posto o pote com as noctívagas excrescências do lado de fora da porta. Azar do príncipe que no êxtase das comemorações, no nauseabundo objecto tropeçou, espalhando o conteúdo à sua volta com particular incidência nos reposteiros novos, chegados de Inglaterra à bem menos de 15 dias.

Sem alterar a sua marcha, continua, no entanto, el Príncipe correndo em direcção aos seus aposentos. Estando sem telefone, por via da brutal trovoada que se abatera sobre a cidade, mandou um guarda chamar o pajem. Entretanto rabiscou com a sua pena o seguinte texto:

Creia-me, Senhora, o mais feliz dos homens, desde que fui informado do seu assentimento. Aguardo, com inusitada ânsia, que me dê a conhecer quando a poderei visitar. Entretanto e em sinal do meu agradecimento, peço-lhe que aceite o portador desta missiva para seu uso próprio. Sem mais Seu Príncipe...

Lacrou e entregou a mensagem ao pajem a quem recomendou mil cuidados. Disse-lhe ainda que fizesse tudo o que a donzela lhe ordenasse e que limpasse o seu recanto de todos os seus pertences. Ofereceu-lhe ainda, como prémio, dois bilhetes de avião para terras do Brasil, sem data para que ali se deslocasse quando a senhora o libertasse, com quem achasse por bem. Disse-lhe ainda "Leva o Renault".

Lá foi o moço, cumprir a ordem, evitando a algazarra em frente do quarto do Conde Alberto, onde a Rainha e o médico insistiam que devia o Conde deslocar-se quanto antes às termas pois era agora óbvio por todo o palácio que algo com ele não estava muito bem.

Passou ainda pela cozinha onde diversos criados se preparavam para iniciar a confecção do próximo repasto. "Meninos, ponham menos duas pernas de carneiro que eu não almoço e garanto que D. Alberto vai entrar em dieta"... Logo, Mariana, a criada preferida do azarado e doente senhor, se precipitou para o telemóvel, tentando saber o que se passava. O pajem chegou finalmente ao seu quarto, recolheu seus pertences (ia esquecendo o rolex e os rayban), passou na portaria onde pediu ao mordomo as chaves do Renault e disse-lhe: "Juvênál, eu não devo voltar, mas vais ver que o Guimarães sobe à primeira, não te enerves com isso".

Disto isto, pôs-se a caminho da casa de D. Venância (o amor do príncipe). Chegando bem rápido, pois indo como portador de mensagem real, não parou em nenhum semáforo, bateu violentamente na grande porta da Senhora. Ela veio abrir, voluptuosa como era costume e sorriu. Ele logo lhe disse: "Vês Venância? Eu disse-te que não nos daria ouro, mas algo já usado! Agora como vamos levar o Renault para o Brasil?"

Terça-feira, Maio 8

Alternativas

Dizem que um homem ou uma mulher terá justificado a sua existência quando cumprir a máxima: "Plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro".

Era uma máxima interessante, que alertava para três factores:
- O cuidado com o planeta,
- A aposta na humanidade,
- O interesse pelo não material, numa perspectiva de crescimento intelectual e espiritual.

As pessoas são únicas e com histórias de vida e aptidões diferentes. Apesar disso (ou por isso mesmo) existem alternativas, ainda que se mantenham actuais os mesmos factores. Creio que tudo isto foi pouco seguido, fazendo com que hoje cada um deva ser mais exigente consigo mesmo. No meu caso, já plantei várias árvores, tive 3 filhos e à falta de livro, castigo leitores aqui mesmo neste blogue.

Não chega! Tenho a obrigação de encontrar mais formas de justificar a minha existência.

Sexta-feira, Maio 4

I Hope You Dance (really!)

Não tanto pela música, muito mais pela letra, porque é isto mesmo que espero, que dancem...


I Hope You Dance


I hope you never lose your sense of wonder,
You get your fill to eat but always keep that hunger,
May you never take one single breath for granted,
God forbid love ever leave you empty handed,
I hope you still feel small when you stand beside the ocean,
Whenever one door closes I hope one more opens,
Promise me that youll give faith a fighting chance,
And when you get the choice to sit it out or dance.

I hope you dance....i hope you dance.

I hope you never fear those mountains in the distance,
Never settle for the path of least resistance
Livin might mean takin chances but theyre worth takin,
Lovin might be a mistake but its worth makin,
Dont let some hell bent heart leave you bitter,
When you come close to sellin out reconsider,
Give the heavens above more than just a passing glance,
And when you get the choice to sit it out or dance.

I hope you dance....i hope you dance.
I hope you dance....i hope you dance.
(time is a wheel in constant motion always rolling us along,
Tell me who wants to look back on their years and wonder where those years have gone.)

I hope you still feel small when you stand beside the ocean,
Whenever one door closes I hope one more opens,
Promise me that youll give faith a fighting chance,
And when you get the choice to sit it out or dance.

Dance....i hope you dance.
I hope you dance....i hope you dance.
I hope you dance....i hope you dance..
(time is a wheel in constant motion always rolling us along
Tell me who wants to look back on their years and wonder where those years have gone)

Lee Ann Womack






P.S.: Tomei uma decisão - Entre desiludir-me um pouco a mim próprio e desiludir (talvez bastante) aqueles de quem gosto, escolho a primeira. Aguentar-me-ei ...e espero dançar.

Quarta-feira, Maio 2

Reinicializando

Telefonaram-me de uma filial:

- (...) se me pudesse ajudar... aquilo ainda agora estava aqui no pc e depois.... desapareceu!

- Já fez "isto"?

- Sim

- E "aquilo"?

- Também e ... nada! E faz-me tanta falta!

Sabendo como o Windows nos presenteia diariamente com problemas que ninguém consegue explicar e que muitas vezes se resolvem reinicializando o computador, sugeri:

- Vamos então desligar e voltar a ligar.

- Ok, então eu desligo e ligo-lhe já a seguir, está bem?

clic----piiiiiiiiiiiiiii

- !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Segunda-feira, Abril 30

Varinha mágica

Deram ao meu filho um pequenino livro de magia. Ele começou a ler e já no fim da noite, perguntou-me:
- Pai, temos uma varinha mágica?
Eu, resolvi brincar e disse:
- Temos, pá... mas está guardada desde que o pai, sem querer, transformou aquela senhora num sapo feio.
Na altura ficámos por ali...Ele pensativo, eu sorridente com a "maldade" dita ao miúdo.
No dia seguinte fomos como de costume, os primeiros a acordar. Um beijo de bom dia e ele calmamente volta à carga:
- Ó pai, diz a sério... temos mesmo uma varinha mágica?
Faz-lhe falta a varinha, para os truques mas, creio que adormeceu e acordou a pensar no que o pai poderia ter feito à senhora.

Nesse mesmo dia, à tarde, à volta de uma grande mesa discutiu-se o "estado da Nação", as últimas peripécias da classe política, falcatruas de gente conhecida e incongruências da lusa sociedade. A Inês, que é a minha filha mais velha, escutou atentamente. Reparei porque não era costume. Habitualmente sairia e não aturava a conversa dos mais velhos. Mas, de regresso a casa e já dentro do carro, disse:
- Não vos percebo! Dizem tão mal de Portugal! Acham que existem muitos sítios melhores para se viver? Não é isso que vejo na televisão. Eu pessoalmente, acho que temos muita sorte de ter nascido aqui!
Foi uma pena que não o tenha dito ainda à mesa com toda a gente presente! A Inês, com um toque de magia em meia dúzia de palavras, mudou Portugal naquele exacto momento.

- Inês, faz-me um favor: Empresta a varinha mágica ao teu irmão.

Coração d'ouro

Dizem que tem o coração d'ouro. Perante as dificuldades, as poeiras da vida, sempre se espera que esta sua característica acabe por resolver problemas. Por este, por aquele e aquela, pelos pais, pelos filhos, pelos amigos.
E assim, como não é d'ouro o seu coração, sofre porque as coisas não estão bem. Mais ainda, quando é parte no problema.
Mas de novo se levantam as vozes que o desafiam a "resolver".
Ele fica cansado. E farto. Não sabe mesmo, em verdade, se é o melhor a fazer. O nosso melhor será sempre o nosso exemplo. E se, procurar saídas e encontrar soluções são bons exemplos, já não lhe parece que o sejam deixar caír os braços, não lutar por aquilo que acredita, não ser firme nos seus princípios. Uma vez, duas vezes, doze vezes...
Se fosse de ouro o seu coração, não lhe doía como doi.

Sexta-feira, Abril 27

Dor

Ter um amigo em sofrimento é ter uma dor, que sendo dele, é minha.

Terça-feira, Abril 24

Pontaria

Já por aí circulou num mail que nos mostrava os mais estranhos exemplares. E foi exactamente isso que me levou a pensar que poderia encontrar as fotos na net.
Já faz muito tempo mas a ideia prevalece lá, no mesmo sítio, como muitos conhecerão.

Numa escala em Schiphol, dirijo-me aos quartos de banho. O P. foi comigo. Estava então eu, calmamente a urinar, quando a vi. Estava uma mosca no meu urinol. Bem perto do centro. Acho que é inevitável: Fiz pontaria e vai de metralhar a desgraçada. Acontece que ela permaneceu como se nada fosse, o que era de estranhar, atendendo além do mais à pujança de uma próstata nos vinte e poucos. Foi aí que se fez luz: A mosca estava pintada, gravada na louça. Sem deixar no entanto de fazer mira, inquiri:

- P., também tens uma mosca? - Aí sim, levantei os olhos para meu amigo.

- Tenho, tenho! - diz ele com a voz alterada de caçador atrás da presa, duas mãos na arma e um olho fechado para melhor fazer a mira.


Acho que isto deveria ser usado nas casas de banho públicas em Portugal. É que doutra forma, não é uma mosca que por lá anda, são muitas e bem vivas.







Segunda-feira, Abril 23

Ele queria, ele queria

Sócrates queria. Mas o facto de não ser engenheiro impede-o de fazer (e nos dar) as pontes de 23 e 24 de Abril e de 30 de Maio.
Bolas, logo agora, tinham de mexer nisso?!!!

Quarta-feira, Abril 18

Sábado

Sugere a Isabel a todos aqueles que tenham filhos, sobrinhos, amigos com a idade compreendida entre os 4 e os 12 anos, uma manhã de sábado diferente.

Esta dupla já fez maravilhas!





Segunda-feira, Abril 16

Thinking blogger


António Paiva, disse: "(...) vocês estão nomeados lá na nossa pastagem, vejam do que se trata e façam o que entenderem por bem"

Normalmente, evito toda e qualquer coisa que se assemelhe a "segura aqui e passa". Mas antes de mais, neste caso, seria uma desconsideração por quem de nós se lembrou.


O Companheiro é autor de um blogue que gosto imenso de ler. Tem obra publicada, que também já li. É um homem desassombrado, que ataca os assuntos de frente, foge ao politicamente correcto, para defender aquilo em que acredita. E escreve de sentimentos, tal como nós. Obrigado Companheiro, e tal como avisei e pelos motivos expostos, aqui vai mais uma "nomeação" para o teu Blogue. Obrigado por nos leres, é uma honra!





Agora, depois de reunião entre os dois autores deste blogue, cá vão as nossas nomeações, indicadas por ordem alfabética e tendo em conta, essencialmente, mais do que qualquer estética de escrita (embora também valorizada), aquilo que se defende e como se defende. São, para nós, blogues que acrescentam, porque não se limitam a narrar; ajudam-nos a sermos e a sentirmos melhor.






"A estes compete-lhes: ou ignorar a nossa nomeação ou copiar o logótipo do Award, para os respectivos blogues e fazerem também eles 5 nomeações."

Sexta-feira, Abril 13

Hoje é dia de festa.

Hoje é dia de festa. Vesti o meu coração com os sentimentos mais bonitos que herdei e enchi a minha alma de riso e alegria, para celebrar o presente que há setenta anos Deus deu ao mundo: a minha mãe.
Não resisti, também não tenho que resistir, e fui abrir a sua gaveta, daquela mesa agora sem brilho e fui encontrar bocados de si. Um a um fui tocando, sentindo os envelopes macios como a sua pele, mãe, tão brilhante, tão macia de seda pintada por manchas de tempo. Depois, aquela caligrafia de palavras pensadas com toda a ternura e doces, tão doces mãe, como os seus olhos cansados de azeitona brilhante, tão pretos, mas que conseguiam ver o cor de rosa do sorriso dos outros, ir buscar ao fundo de cada um as cores escondidas e fazê-las pintar a vida, numa confiança nas pessoas e toda a fé no mundo.
Depois, abri a caixa dos lenços. Aquela que era dos charutos do pai e que a mãe forrou com um tecido tão fininho de bolinhas brancas. Ainda tem a renda a debruar a caixa; não está perfeita, nem é preciso, foi forrada por si. E aí é que se dá o mistério.
Ao abri-la, com todo o cuidado para não estragar, solta-se um perfume a jasmim, suave e inconfundível que a mãe deixou em mim.
É sempre o mesmo desabrochar e quer seja Abril ou Novembro a mãe será sempre a primavera a nascer no meu coração.
Parabéns, minha querida Mãe.

Segunda-feira, Abril 2

De novo, o rio.


- Bom dia, senhor Rio. Com que então a descansar?

- Olá, bom dia…. É verdade; parei aqui para me encantar!

- Engraçado que diga isso, pois a mim parece-me o contrário. Os montes, as colinas, árvores, animais e pessoas estão aqui dispostos como que em bancadas para o admirar a si!

- A mim?!!! Disparate. Sou apenas água, que um dia corre com pressa, outro com mais tempo me deixo deslizar devagarinho. Como pode o que quer que seja, perder tempo a olhar para mim?

- Devolvo-lhe a pergunta, sr rio. Que raio está a ver e diz que o maravilha?

- Então não vê? Toda a natureza, nesta altura em festa, os animais em grupos a comer e conversar, as crianças ali ao fundo, o sol que ali cúmplice com as arvores produz sombras refrescantes e acolá ajuda a realçar as cores da relva e das flores…

- É verdade… mas nada disso seria o mesmo se o senhor não estivesse aí…É para si que convergem todos os olhares.

- Todos menos o meu, que é com o que me rodeia que me espanto todos os dias. Olhe ali, onde aquela árvore me veio abraçar… Consegue imaginar coisa mais terna?

- Por acaso pensei que fosse o senhor a abraçar a árvore.

- Bem, é verdade que também estou… Ninguém abraça o nada.


Com o silêncio exterior do local onde me encontro – e que alguns reconhecerão na foto – e o interior finalmente com tempo para ouvir, a mim e aos outros, “apanhei” esta conversa. Como um abraço encontra existência no outro, também o rio se complementa na paisagem que o rodeia e vice-versa. Também o ser humano precisa do outro para se maravilhar. Também eu, preciso de ti, para ser eu. Faça-se silêncio. Escute-se. Criem-se as condições para nos maravilharmos e por certo, alguém se espantará connosco.


Nota: Nokia e laptop em animada conversa bluetooth. Ligação por essa via à internet. Máquina digital e cartão SD partilhado por esta e pelo computador, fazem com que o post possa ter entrado aqui agora, e a foto tirada às 13:50 de hoje acompanhe o texto. Maravilhas da técnica mesmo em meio rural. Sem que perturbem o silêncio!

Terça-feira, Março 27

Quaresma

Eu pecador, arrependo-me:
Dos risos que segurei e das lágrimas que não chorei;
Das brincadeiras que não fiz e da ajuda que não quis;
Das desilusões que provoquei e do amor que te não dei;
De não ter feito do longe perto, de não ter sido livro aberto;
De quando em ti algo senti, eu não ter estado logo ali.

Eu agora quero:
Rir a vida, chorar a dor;
Brincar sempre, aceitar o ombro;
Servir sonhos, dar amor;
Trazer a lua para a tua mesa, o meu coração aberto ser certeza;
E que quando de mim precisares, me bastem os teus olhares.

A minha caneta

A minha caneta falhou-me.
Não foi capaz de escrever o que eu queria dizer.
Teorias, jogos de palavras, sorrisos escondidos, amarguras guardadas é o que escrevia, quando o pretendido eram teses com soluções, jogos de amor, gargalhadas felizes, crença pura.
A minha caneta traiu-me; zanguei-me com ela, afastei-me. Mas o que faço então com o que preciso dizer?
Falo e não me entendem,
Actuo e não gero consenso ,
Sonho e não consigo,
Luto e não venço.

Vem cá velha caneta, a culpa não é tua por certo... deixa-me que tente de novo, que caneta nenhuma pode ser responsabilizada pela mão que a segura.
Tentemos de novo sim, certos que não assinaremos o Tratado de mudança do mundo, mas que podemos gerar um sorriso amigo, um acreditar momentâneo, um olhar terno, alguém a sentir-se compreendido.

Não mudaremos a cor da tinta, o tipo de letra. Continuaremos como sabemos, e saberemos continuar
A amar
A acreditar
A viver
A perdoar
A ser crianças
A dar
A receber
A partilhar
A vivermos cumplicidades
A sermos mais felizes.

Obrigado, caneta... eu desacreditei, tu nunca.

Segunda-feira, Março 26

Parrilhada

Estou triste e desiludido; raivoso nunca.

Ouço melhor com o coração.

É evidente que não existe glória na rendição; mais uma razão para ela ser tão dura. Mas quantas vezes ela não é mais do que o assumir do óbvio?

Parece-me correcto o princípio de que se devem conhecer bem os assuntos sobe os quais escrevemos. Mas alguma vez nós conhecemos francamente bem os sentimentos?

Um desiludido, desilude.

Como se luta por princípios evitando os fins e fugindo aos meios?

Ás vezes não tenho paciência nenhuma para mim. Mas, apesar de tudo, vivo melhor com isso do que quando não tenho paciência para os outros!

Aquilo que pensamos sobre determinado assunto deriva da nossa apreensão desse mesmo assunto. Estando a apreensão errada, estará errado o pensamento que dela resultou?

Homens valentes defenderam aquilo em que acreditavam contra tudo e todos. Apesar de o futuro lhes ter dado razão, foram valentes. E sós!

"Estou tão fechado sobre mim mesmo", que só penso nos outros.

Quinta-feira, Janeiro 25

Querer ou crer

Acredito num mundo de sorrisos, de graça, um lugar quente e macio,
de sussurros e tranquilidades,
onde só se ouve uma melodia de tenores, serena e envolvente
e onde os dias são só o nascer e o pôr-do-sol.
Acredito num mundo de concórdia, amor eterno e amizade gratuita.
Acredito em Deus, que vive em mim e me faz continuar a crer,
mesmo que o mundo pareça não querer.

Sábado, Dezembro 23

Uma grande alegria

«Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor»
(Lc 2, 10-11)

A existência histórica de um ser humano com o discurso de Jesus, deveria entusiamar os homens de todos os tempos. Espanta-me, que a despeito da fé de cada um, Este radical não continue a inspirar cada vez mais aderentes a um discurso revolucionário, a que os séculos não conseguiram retirar actualidade nem provar a sua falência. Quanto mais não seja, como filosofia de vida, sobrevive a todas as modas e modelos sociais. E fala de coisas a que uns damos mais importância do que outros, mas que curiosamente recebe o consenso de vermos na sua mesma falta, a grande razão de ser para a preocupação que temos com este mundo em que vivemos. É um discurso de amor que não deveria inspirar tanto sentimento negativo.
Por falar em Jesus, em amor pelos outros, e em rabanadas (ah pois é!):
Bom Natal para todos!

Sexta-feira, Dezembro 15

O Norte

Sou tripeiro. Tenho orgulho na "minha" cidade, que nos últimos anos tem melhorado imenso. Gosto de Lisboa. É linda. Do mais bonito que tenho visto. É tola a guerra da "minha cidade é melhor do que a tua". Aceitem-se as diferenças e principalmente fale-se do que se sabe e conhece. Muitos dos que criticam uma cidade vista da outra, não fazem ideia do que estão a falar.

Agora, existem coisas boas e más de um e outro lado, como é óbvio e subscreveria Mr de La Palice.

Uma má, que sempre me irritou e que parece estar a usar-se cada vez mais, é o uso do termo Norte por alguns (poucos, acredito) lisboetas quando se pretendem referir ao Porto.

A - É uma desconsideração para o resto do Norte, do melhor que existe em Portugal;
B - Demonstra uma fobia ou complexo inexplicavel;
C - Está errado, percebem?

Isto vem a propósito de publicidade salvo erro ao Semanário Económico, que tenho ouvido no rádio: "Ontem a C..E.E. tinha 12 membros; "Hoje a bica custa xxx" (Bica?!!!!); "Hoje, chega-se ao norte em três horas(...)"
Isto exaspera-me! E deixem-me só dizer a esses senhores que deviam mexer-se qualquer coisita mais depressa; eu mesmo que escolha o extremo norte do País, demoro bem menos, ok?
O problema é sempre o mesmo: Onde é que estamos e para onde queremos ir. Para esses poucos, estamos num pequenito país onde só conta a capital e não queremos ir a lado nenhum!

Segue anexo uma representação gráfica do norte para mais fácil entendimento.

Quarta-feira, Dezembro 13

Correio Azul




Este post resulta de uma resposta a um mail recebido, com a devida autorização do seu destinatário.

Companheiro: Obrigado pelo teu mail. Perguntavas-me se estou zangado e desafiavas-me a dizer alguma coisa. Ora, uma vez que me apetece, aqui vai:
Tenho tido muito trabalho e a um ritmo que não me tem permitido a calma necessária para me encontrar com a minha alma e postar o que para lá vai. No entanto, o stressado que sou eu, vai vivendo diversos estados de espírito, que costumo aproveitar para contar no meu espaço. É, como sabes, uma espécie de amigo que temos, pelo que pacientemente nos escuta e pelos sábios conselhos que dele vamos recebendo através dos comentários de quem nos visita. Ora, apesar da aproximação do Natal, que sinto para além das luzes e por isso funciona como bem-vinda esperança, a "coisa" não tem andado muito bem.



Os sábios que iniciaram os blogs no início do fenómeno em Portugal, creio que o fazem pela grande capacidade de escrita que desenvolvem noutros locais e que "aqui" encontrou modo de chegar a mais gente. São intelectuais cultos, que podem escrever sobre o que lhes aprouver. O nome na praça, o treino em crítica dos mais variados géneros, permite-lhes isso. E muito mais. Permite-lhes que escrevam merda atrás de merda e que continuem a ser os melhores da praça. Sempre é merda de intelectual que, como se sabe, é bem diferente da nossa, sendo também outras (e ainda bem) as moscas que por lá pousam.



Feita esta introdução, em que reconheço uma fase menos boa e me distingo dos sábios da pena, fica mais fácil compreender a razão por que de quando em vez me sumo: Escrevo porque gosto, ninguém tem que o ler pois não é publicado nem escrevo nas paredes. Escrevo de coisas comuns, não cito pensamentos de famosos ou de menos famosos só ao alcance dos tais sábios. Falo de sentimentos, do mundo numa visão apaixonada e crente. Tento despertar nos outros as emoções que em mim despontaram quando senti o que escrevi. Aqui e ali brinco. Não tenho por hábito falar de sexo e de outras intimidades que chamem "voyeurs" viciados. Existem também aqueles que querem estar no anonimato para poder livremente expressar o que pensam, sem qualquer tipo de constrangimento. Compreendo-os. Eu exponho-me. Dou-me pelo que acredito. Considero-me livre de amarras. Apenas tento ser fiel a mim mesmo na interpretação directa da minha consciência. E a esta, tento educá-la.



Por tudo o exposto, quando passo por um momento destes, penso que não tenho nada a dizer. Não vou escrever porque a frase fica bonita, porque a junção de palavras é de gosto público. O que gosto de dizer, é que amo o mundo, o ser humano, que creio que estamos a tempo de construir uma sociedade diferente, melhor. Que devemos deixar-nos tocar mais pelos sentimentos e menos pela politicamente correcta adequação aos tempos, adaptando assim a nossa consciência a estes e não o oposto e ideal, de revolucionarmos os tempos pela introdução nestes, de valores intemporais.

Um abraço amigo,
Miguel

P.S. Já depois de escrito o mail achei que poderia "dar post": Anulo assim o desaparecimento e falo do que sinto. Permite-me V. exa que o faça?

Terça-feira, Dezembro 12

Porque será?

"A Caixa da Avó Maria" esgotou a segunda edição.
Parabéns Leo!

Quarta-feira, Dezembro 6

Boas festas

As empresas privadas, como bastiões das sociedades modernas, são tal como estas, laicas. Acreditam apenas no sucesso. Do negócio, do departamento, de este ou de aquele colaborador, no dinheiro ganho, nos clientes angariados, no valor das acções...
Hoje é dia do jantar de Natal da firma. Ao contrário de outros anos, onde a "coisa" era nacional, este ano por motivos vários é apenas regional. Cada "casa" comemora o Natal na sua área geográfica. Estaremos juntos assim, os da mesma filial em ambiente de festa. Pelo que posso notar desde já nos corredores, o consumo de perfume aumentou, as camisolas e gravatas novas são muitas, e até o mal-disposto me concedeu um sorriso. Tudo isto tem lógica, tudo isto é proveitoso, embora na maior parte dos casos chato como a potassa!
Apenas uma coisa me faz confusão: Porquê jantar de Natal? Porque não de fim-de-ano, de solstício de inverno, de fecho contabilístico, de "sempre se fez assim, porquê mudar", etc?
O Natal tem uma razão de ser. Comemora algo que aqueles que não acreditam, não deveriam em consciência comemorar. Dir-me-ão que não comemoram... que é um aproveitar, um pretexto para esta e muitas outras festas. Então para esses o uso da palavra Natal, é um erro semântico. Na minha opinião, não deveriam utilizar a palavra. Não deveriam querer utilizar a palavra. Por outro lado, acho que qualquer festa é também um pretexto e uma oportunidade para se ser mais feliz, conviver, rir, e quem sabe descobrir o verdadeiro Natal.

Natal
do Lat. natale
adj. 2 gén., respeitante a nascimento;
natalício;
pátrio;
s. m., dia ou época em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo (grafado com inicial maiúscula);
dia do nascimento.

Sábado, Dezembro 2

O Poeta

Invejo o poeta…
Fala de amor, é deste o trovador.
Dá à vida cor, escreve com ardor.
É livre pensador, tem alma de sofredor.

Com espírito voador,
É:

Escritor, narrador, cantor,
Lutador, sonhador, inspirador;
Comunicador com cor, humor e fervor;
Tenor sem temor nem favor.

É por isso que sou seu admirador,
É por isso, sim-senhor!

Sexta-feira, Novembro 24

Dentro de mim

Ah, o que eu procurei uma ideia! Todo o dia, a semana e o mês a procurei. Quem sabe toda a vida vivida. Apenas a queria encontrar dentro de mim, onde a sabia perdida sem que eu a tivesse perdido. Como lá foi ter, eu não sei...apenas a sabia lá, pronta.

Era em mim que ela estava. Como efeito secundário de uma doença, a dor de cabeça, a agitação tomava conta de mim. Onde estaria que me deixava louco? Como a poderia chamar ou procurar? Eu precisava dela e não era apenas para mim. Era para tudo e para todos.

Era em mim que ela estava... eu, melhor do que ninguém podê-la-ia encontrar. Esta certeza, esta aflição, esta falta de ideias para a descobrir, frustrava dias, entretinha semanas, gastava meses e anos.

É em mim que ela está; o tempo de a encontrar e pôr em prática, urge! Que desespero! Como será mais fácil encontra-la? No silêncio, ou no meio do grupo; na luz da praia em Agosto, ou no negro da noite?

As guerras continuam, as mortes somam, o planeta suja, os médicos receitam drogas legais para que eu aguente.

Eu sei. É preciso uma ideia, para encontrar a ideia de um mundo diferente. Eu sou a humanidade num torpor que não me deixa encontrar o que está em mim!
Cansado, com dias de dúvida, acredito que vou encontrar...Afinal, ela está em mim...

Quinta-feira, Novembro 23

Não sei se diga, se escreva

Em amena cavaqueira com quem me conhece há pouco tempo, tentei explicar aquilo que não estaria a ser fácil para o meu interlocutor:

- (…) e de uma forma geral, nos restantes casos, posso dizer que brinco 80% das vezes que falo e 20% das vezes que escrevo.

Que diabo! Pois é…ao explicar-lhe cheguei eu próprio a uma conclusão: Sou um tipo muito mais sério a escrever do que a falar! Qualquer dos casos, já me tem trazido amargos de boca, pelo que decidi que a partir de agora e em determinadas situações, em vez de escrever, vou telefonar e noutras, em vez de falar, vou mandar bilhetinhos. Assim, creio que equilibrarei as coisas.

Posto isto, duas notas:

A – Este post, foi escrito ou falado?
B – Muito bem, mas se o eu falador é assim e o eu escrevinhador assado, como é o eu pensante? – Tenho que pensar nisso! Depois digo-lhes... ou escrevo!

Terça-feira, Novembro 21

Assumo...

...com orgulho:

Eu sou um Menino do Coro

Segunda-feira, Novembro 20

Meio par

Já em tempos me questionei sobre o assunto. Para que serve um blogue? Mesmo entre os que vamos alimentando os nossos, a resposta a esta questão não é unânime.
Para mim, é sempre um reflexo do meu estado de espírito, daquilo que me preocupa ou que quero partilhar. Não tem um fim último. Gosto sim, que o verbalizar das sensações, me leve a entender melhor o mundo, quantas vezes com a colaboração daqueles que gentilmente comentam o que aqui é escrito.
Por isso tudo, os posts são por vezes mais “sérios”, outras vezes mais leves, outras ainda levantam questões, enquanto outros tentam humildemente responder-lhes.


Hoje, quero pedir ajuda: Os homens e as senhoras casadas (pelo que tem de convivência com os primeiros), perceber-me-ão:
Como é que as meias desaparecem? Para onde vão? Como é possível um êxodo de tais proporções sem que exista um estudo sério sobre o assunto? Um tipo gasta um dinheirão numa escolha criteriosa do aconchego para os seus presuntos, e quando abre a gaveta, lá está, apenas meio par, triste e inútil!
Bolas… que acontece à meia desaparecida? Ajudem-me a entender, por favor!
Lembrei-me de um filme em que o assunto foi sériamente tratado e fui em busca daquilo que constitui a única tese plausível de que tenho conhecimento e que aqui vos deixo. Agradeço no entanto, qualquer colaboração que ponha fim a este mistério que me atormenta:

“Here's a riddle for you:
There's 200 million people in America.
A hundred million of them are men.
They lose four socks a year, conservatively.
I lose ten myself.
That's 400 million missing socks.
Missing forever. Where are they?
Nobody ever sees them again.
You'd think you'd run into one of them every once in a While. ~

They're in heaven!
You die, go to heaven, and they give you this big box
With all your missing socks and mufflers in it.
And you get to spend eternity sorting it out.“

Jack Nicholson em Heartburn [1986]

Quinta-feira, Novembro 16

Tás acordado?

São 5h da manhã.
Amigo blog, confidente e testemunha daquilo que vão sendo os meus dias, parabéns!
Não sei se a data é querida, se é dia de festa, ou se te desejo muitas felicidades e anos de vida.
Mas sabes o que sei?
Que aqui e contigo continuará a cantar a minha alma.
Como fixar datas não é o meu forte, lembrei-me disto agora e vim aqui dizer-te. Agora sopra lá a vela, para ver se ainda dormimos um pouco. E quando os senhores e senhoras por aqui passarem hoje, agradece-lhes por te aturarem e diz-lhes onde estão os bicos de pato.

Quarta-feira, Novembro 15

Diz-me com quem andas...

Hipertexto (EN: Hypertext): termo que designa um documento elaborado de forma a que possa ser lido de modo não linear, através da activação de uma ou de várias ligações nele incorporadas.

HiperMiguel (EN: HyperMichael)!!!: termo que designa um ser que pode ser lido de forma não linear, através da activação de uma ou de várias ligações nele incorporadas.

Eu sou eu nas minhas hiperligações ou links... Clique em mim, irá ter a destinos que melhor lhe permitirão perceber o HiperMiguel. Sem elas, o texto é pobre, confuso, triste e incompleto. Os meus links, explicam-me, dizem quem sou, justificam-me e dão-me razão de ser através dos outros.
Melhor ainda: Sem os outros não existo, daí que os meus links são...eu.

Terça-feira, Novembro 14

A felicidade exige valentia


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

Escravaturas


Existem dias destes. Em que me sinto escravo. Todo o tempo útil é do(s) meu(s) senhor(es) e o que de mim resta, são mesmo sobras. Gasto-me no dever ao senhor e não posso acudir a outros campos onde, estou certo, a minha ajuda seria mais útil e eu mais realizado.

Este não é o meu continente.

Sonho com a alforria.

Segunda-feira, Novembro 13

No hipermercado

Um casal tomou em mãos uma figura (na verdade pouco convencional) do Pai Natal.
Diz ele, com escárnio:
Isso já não é um Pai Natal; isso é uma mistificação!

Sexta-feira, Novembro 10

Outros outonos

Estão mais velhos,mais cansados...
De formas completamente diferentes, cada um à sua maneira, tem alterado as formas de viver.
Num outono que não conhecerá o renovar das estações, a folha cai, o tronco dobra, mas a raíz é a mesma.
E se o aproximar da estação fria me entristece, alegram-me os dias de verão que com eles vivi, o mundo que me deram a conhecer e a oportunidade de ser feliz.
Devo-lhe isso, devo-lhes tanto mais... Devo-lhes tudo!
Estão mais velhos, cansados... Quantas daquelas rugas não fui eu que desenhei?
Mas eles sabem, que num mundo doente, um filho acredita, porque com eles aprendeu. E assim, aposta na vida exactamente como eles o fizeram: Três vezes! Tudo!

Segunda-feira, Novembro 6

Pescarias...

Confesso: Fiquei prostrado quando naquela noite lancei as redes do meu coração, que regressaram vazias de peixe.
Na noite seguinte, pessimista pela recente experiência, lanço as redes de novo, mas sem esperança. Não olhei o mar, quedei-me mudo na solidão daquele que se sente triste. Não queria um livro, um rádio, nenhuma distracção. Apenas o pensamento nas grandes pescarias de outros tempos.
Como é longa a noite, por vezes!
Adormeço no semi-agasalho das recordações.
Acordo com suaves sons de uma natureza, revigorante.
A noite escura, transformara-se no mais azul dos dias... morno, brilhante, prometedor. Puxei as redes...Surpresa... Nunca o conseguiria fazer sozinho! As redes cheias, como nunca antes, faziam-me engolir os pensamentos negros, por uma noite de má pesca.
Quis partilhar. A todos chamei para que me viessem ajudar a puxar o peixe. Que viessem com força e munidos de muitos sacos para partilharmos a pescaria. Fui fazer café...
Com uma grande chávena na mão, sentei-me na cadeira de repouso junto à amurada para onde estiquei as pernas...
Voltado para terra, sorri. Tinha agora o coração aquecido. Quentes estavam também o café que bebia a pequenos tragos e as cores dos barcos que se aproximavam do meu, carregados de gente que ajuda, partilha e ri.
P.S.: Ainda nos sobrou peixe a todos. Continuamos a querer distribuir.

É possível estar triste por não estar triste?

Não ia lá já há algum tempo.
Senti a mesma serenidade, a mesma calma, o mesmo sentimento intemporal.
Quase me senti em casa.
Faltou o abraço, a recordação de risos e dias inesquecíveis.
Sem remorso, apenas um vazio.
Mesmo assim gostei. Da beleza, da simplicidade sincera, do assumir de um sentimento que não se tem.
Era Outono, ainda e outra vez, ali é sempre Outono.

Quinta-feira, Novembro 2

A Paleta do Tó

Tinha o homem "isto" em casa e não queria expôr: - Dá cá, que te arranjo uma montra.
O meu Porto, o Porto dele e outros portos que são de todos e que tão bem pinta, podem agora ser vistos (e comprados, se faz favor) aqui.
Estou certo que me ajudarão a provar-lhe que eu tinha razão ao querer expôr e quem sabe, um deles não ficará bem lá na sala?

Reservado o direito de admissão

A partir de um post que aqui esteve com este mesmo nome, um novo blog está a ser construido.
Esperem novidades...das boas!

Quarta-feira, Novembro 1

Todos os Santos e os fieis... defuntos

Por mais que:

Sejamos optimistas militantes;
Vivamos em família;
Tenhamos amigos;
A nossa vida seja equilibrada;
Que acreditemos para além do terreno,

Existem momentos de profunda solidão e angústia em que nos sentimos responsáveis por tomar conta de nós mesmos , na falta de quem compreenda os valores que sendo nossos, tomávamos por universais.
===========================================
Esperava mais de ti.
===========================================
Encontramos cruzamentos na vida em que optamos por determinada direcção. A partir de então, cada passo dado, vai-nos afastar mais e mais do caminho que trazíamos.
===========================================
O sofrimento, a desilusão e a injustiça, são amigos que brincam juntos. ============================================
O que sentes quando te falha aquilo que foi a tua âncora e o teu maior referencial humano? Tonturas, vazio, morte?
=============================================
Dizem os CTT que o Correio Azul, é sempre entregue no dia útil seguinte. E o abraço de solidariedade, quanto tempo demorará a ser entregue?
=============================================

Segunda-feira, Outubro 30

...




Sábado, Outubro 28

Inexplicável

Incrível o que se passava com aquele jogador. Evitava como ninguém, qualquer tipo de entradas que pudessem magoar os outros. Era mesmo uma das primeiras características que lhe eram reconhecidas. No entanto, inexplicavelmente, vários outros já se tinham magoado muito por com ele chocar! Obviamente, ele lamentava imenso o sucedido, consciente de que nada tinha feito para que tal sucedesse e preparando-se para, se possível, ser ainda mais cuidadoso.

Sexta-feira, Outubro 27

Desatino

Apesar de antigo, vale sempre a pena, porque:

1 - Hoje é sexta.

2 - Está sol.

3 - Gosto de me rir e de quem se ri.

4 - Podemos imaginar "n" perguntas que isto gerassem.

5 - "Tout sauf l'ennui".

Quinta-feira, Outubro 26

Afinal...

Se nada aquece os corações, como o amor em todas as suas formas (desde logo a amizade), afinal aquilo que parecia ser a perdição do mundo, é a sua única salvação: O aquecimento global.

Terça-feira, Outubro 24

A folha branca


Todos os dias são uma folha em branco. O que dirá ela à hora de deitar?
Escreverei hoje mais uma página neste livro que vai engrossando. Ah a liberdade de poder escrever o que quiser!

Um cabeçalho de outra cor, um título sugestivo. Assim, fica comigo o leitor que entra no meu mundo. As ferramentas à disposição, sublinhados, negritos, ligações a outras folhas, minhas e de outros. Tenho as margens como limite e mesmo essas posso redefini-las. Encosto-me à esquerda, à direita, alinho ao centro? Uso cores nas palavras? Insiro imagens que sejam apelativas? Sou radical e uso parágrafos, ou continuo para a frente, amigo de vírgulas? Sobre que fundo escrevo: Negro como o dia d’hoje, ou claro como a esperança de sempre? E o tema? O que me guia? A política, economia, religião, a ciência ou a filosofia, ou simplesmente a vida que aquelas todas tentam explicar? Eu sou eu…não sei o que dirá a página de hoje, muito menos a de amanhã. Não defino estilos, não guardo modelos. Gostaria que fosse simples, de leitura fácil, que falasse dos outros e de como os sinto. De ti. Dela e dele. Principalmente de nós. Porque é isso que sinto, é isso que escreveria o coração se pudesse.

É assim. Fácil. Como a essência dos afectos e do que para eles nos puxa. São as palavras que nos encantam nos textos, ou aquilo que elas traduzem (umas vezes bem melhor do que outras)?

Simples. Branco. Nós. Vida. Vírgulas de amor, pontos finais de lamentos, interrogações de injustiça, exclamações nas decisões. Simples. Branco.

Segunda-feira, Outubro 23

Vento

Quando se fecha uma porta, abre-se sempre uma janela. O que, convenhamos, com este tempo não dá jeito nenhum.

Quarta-feira, Outubro 18

Agenda Fnac


Não apareças ... Já estive a ver. Confirma-se: 3 novelas em simultâneo no mesmo dia e à mesma hora, numa televisão perto de ti.
;-)

Chuva



É o que se prevê!
Que sorte tem os polacos do sul...

Sábado, Outubro 14

Calendário

Hoje é sábado, 14.


Ou o meu agradecimento a todos quantos ontem me lembraram ser sexta-feira 13.

Quarta-feira, Outubro 11

O maior português de todos os tempos


A RTP anda a fazer publicidade de um novo programa, a começar dentro em breve, que se chamará “Os grandes portugueses”. O seu objectivo será o de “com o seu voto” escolher a personalidade mais marcante da história de Portugal.
Bravo! O povo vai de novo a votos. Desta feita e nestas intercalares, não para escolher quem nos vai governar, mas para escolher o melhor de todos nós em todos os tempos.
Algumas sugestões (muitas) são desde logo apontadas, sendo que podemos sem qualquer problema votar na vizinha que nos rega as plantas quando vamos de férias.
Estou, não posso negá-lo, deveras curioso com o final desta história.
Ganhará o menino que bateu na mãe, ou o poeta que escreveu o que quase ninguém lê? O Vasco das tias que nos fazia rir, ou o General que não o podia fazer, pois não lhe ficava bem? O Padre Américo ou o Otelo S.C.? A trabalhadora rural Eufémia ou o capitalista Belmiro? O Mário Soares ou D. João I? O Gago Coutinho ou a D. Amália que de gaga nada tinha? A minha vizinha ou a sua?

Fascinante… Apenas alguns exemplos para nos encher de dúvidas.

Soube entretanto por insuspeita fonte que está preparado um prémio para aquele que de entre os que acertarem no vencedor, seja bafejado pela sorte.

Trata-se de um cabaz contendo:
1 – Um galo de Barcelos com a fotografia do Fíuza do clube da terra;
2 – Um garrafão de Portas da Ravessa tinto;
3 – Um exemplar de “Os Lusíadas” com prefácio de Mário Soares;
4 – Um presunto;
5 – Um autógrafo do Eusébio;
6 – Uma dúzia de pasteis de bacalhau;
7 – Uma semana de férias no 7º Esquerdo/Frente do nº25 da rua Mártires da Pátria na Quarteira;
8 – Um “pinheirinho de cheiro” para pendurar no retrovisor.

Passada que está a moda dos reality shows, onde notáveis celebridades eram produzidas a cada hora, temos agora o grande embate entre os verdadeiros campeões de Portugal!
Alguns deles, são bem capazes de ter o próprio voto, enquanto outros, senhores, outros, renegariam o seu passado se isto lhes fosse dado a ver!
Valha-nos a bem da verdade, que foi algum iluminado estrangeiro o pai da ideia. Note-se, no entanto, que muitos países já chegaram aos seus “maiores”… Contando que daqui não se escolha o nacional vencedor para que este nos represente num mega-espectáculo universal onde se baterá com as vedetas de outros países!... Seria uma triste forma de ver D. Afonso Henriques perder com os espanhóis, por exemplo. Abrenúncio!

P.S: Não restem dúvidas porém, que o maior português foi o “Gigante de Moçambique”!

Terça-feira, Outubro 10

Pinturas

Gosto muito de escrever. Mas gosto porquê? Não certamente pelo bater de teclas, nem pelos momentos de isolamento a que nunca me submeto quando o faço. Gosto porque falo do que me vai cá dentro; porque em primeiro lugar sou eu o receptor daquilo que escrevo. Gosto porque sinto tanto o que escrevo como escrevo do que sinto. E sinto muito, escrevendo pouco.

Sentimos tanta coisa que não sabemos explicar, que faria tentar escrever…

Assim sendo é bom quando encontramos alguem que seguramente sentiu como nós, um outro dia, num outro sítio. As cores que compõe os sentimentos estão todas na paleta da vida. É bom quando encontramos um pintor que com elas pintou a paisagem que neste momento estamos a ver.


“Teus olhos entristecem.
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.
Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.


Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.


Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.”

Fernando Pessoa

Domingo, Setembro 24

Outono, outra vez...


Carpia eu a neve dos meus cabelos, queimados pelo sol do Verão, mais um que caía pesadamente sobre mim, quando me dizes, num misto de conformismo e ironia:
”Deixa lá, olha para o meu – não vês que já é Outono?”
Relativizas tudo, geladamente. Há quem lhe chame pragmatismo.
Quando estou irritada, acho que é superficialidade, ligeireza.
Por vezes, ainda mais vezes felizmente, gosto desse teu lado prático e leve.
É por isso que neste Outono ainda gosto mais de ti…

Sexta-feira, Setembro 22

Surpresa



Surpresa!

Veio em tons de laranja e o cheiro a amarelo-torrado não coube mais no meu jardim...

Gosto especialmente do Outono…

Segunda-feira, Julho 3

Um segredo… baixinho, para ninguém ouvir…

Um segredo… baixinho, para ninguém ouvir…

Estou farta das minhas palavras, das minhas frases, dos meus textos.
Acho-as feias, ridículas, inúteis.
Acho-as velhas, gastas e sem graça.
Apetece-me mergulhar no silêncio, para que, quando vier à tona, possa respirar novo sentido, novo sinónimo, e assim amá-las de novo.
Então, com um dicionário novo na ponta dos dedos, onde tudo quer dizer bonito, suave e belo, voltarei a nadar sobre o papel, e todos os que me lerem, sentirão uma paz e serenidade sem fim…

Terça-feira, Junho 13

Os teus olhos estão tristes

Os teus olhos estão tristes.
Já não vejo neles o sorriso do tamanho do mar, a imensidão que era o teu olhar.
E o brilho que nos iluminava…
Agora, quando por vezes descobrem os teus, os meus olhos sumidos não te encontram, porque os teus estão perdidos, também.
Nos olhos é que a vida passa…
E nos teus agora, ao contrário de outrora, quando brilham eu já sei, não é a vida, que te iluminou um dia, é sim a tristeza a vir, e o tal mar imenso, que dos teus olhos quer sair…

Sexta-feira, Junho 2

Ainda as asas...

Ó mãe, estávamos aqui no quarto, a olhar para as pombas lá fora…
Era tão bom se pudéssemos voar.
Sabe o que é que eu fazia, mãe?
Ia para fora da terra, olhar para ela, como no google earth.
Ia até aos planetas.
E trazias-me um anel, de Saturno?
Sim, claro, daqueles coloridos, que os anéis de Saturno são feitos de rochas geladas, e parecem brilhantes, porque reflectem a luz do sol.

Eu queria ir ao Brasil, mãe.
Olha filha, se voares depressa, apanhas boleia no avião que costuma passar aqui à tardinha…
O quê, tipo guna? Ó mãe…
Claro, assim é que tem graça! Levas-me contigo?
Claro mãe, e se ficarmos cansadas, podemos descansar nos braços do Cristo Rei.

Pai, pai, venha cá depressa. Se pudesse voar, onde é que ia?
Ia até à Escócia, bonita a perder de vista, mas como já estava cansado, na volta vinha num belo carro, antigo e verde.
Levas-me contigo?
Sim, mas temos que ir sozinhos, que o carro só tem dois lugares.

E a mãe, onde é que ia?
Eu?
Arranjava um farnel para os quatro, capa da chuva, guarda-sol, protector solar, roupa quentinha, máquina fotográfica, e íamos ver se é verdade que as nuvens são feitas de algodão…

Quarta-feira, Maio 24

Saudades de mim

Tenho saudades de mim,
Daquela que acordava luminosa,
Alegre, feliz e esperançosa,
que ao entardecer se entristecia,
E morria,
como o sol atrás do mar…
Tenho saudades do tempo
Em que tudo era uma batalha,
E eu fortemente lutava
Por um ideal sem fim…
Agora, que até podia,
Já não uso as minhas armas,
mas no começo dia,
falta-me aquela alegria
e tenho saudades de mim.

Quinta-feira, Maio 18

Gostava de ser como os nenúfares

Gostava de ser como os nenúfares. Andar à tona da água, viver por cima da vida.
Nascer com frio, procurar calor, e furar os dias, direita ao sol, à luz, ao céu.
Gostava de ser assim.
Ter um quê de misterioso, de encanto, de divino, que faz as pessoas parar, e quedar-se a admirar tal leveza, tal beleza.
Viver em sítios bonitos, imponentes, rodeada de sonhos e histórias fantásticas, de princesas e amores perdidos, de paixões ardentes e relações impossíveis, murmúrios e lamentos das pessoas que procuram lugares calmos.
Adivinhar pensamentos, daqueles que ficam quietos, com o olhar perdido.
Um nenúfar branco, quase transparente.
Num lago de pedra, antigo, sombrio.
Numa água gelada, límpida.
Estar ali, com o único objectivo de fazer feliz quem para mim olhasse…

Segunda-feira, Maio 8

Dia da Mãe

Que bom que é acordar com beijinhos, sorrisos, alegria e presentes!
Que bom ouvir logo de manhã:
“Para a melhor mãe do mundo.”
“Se eu pudesse escolher entre muitas, escolhia na mesma a mãe.”
E coisas do género.
Com a idade dos meus filhos, eu também achava que a minha mãe era a melhor do mundo.
A minha mãe, que cantava.
A minha mãe, que assobiava.
A minha mãe, que corria.
Que corria o mundo inteiro, por nós, por mim.
Depois, comecei a pensar que era bom se a minha mãe fosse como a da Joana, sempre bem penteada e de saltos altos.
A minha mãe que sorria.
A minha mãe que chorava.
A minha mãe que escondia.
Já mais velha, teria gostado que a minha mãe fosse como a minha tia, que deixava as minhas primas sair até tarde, com quem queriam.
A minha mãe que calava.
A minha mãe que conversava.
A minha mãe que compreendia.
Então, percebi que a minha mãe também tinha defeitos…
Percebi que a minha mãe era uma pessoa para além de ser mãe…
Já adulta percebi que ter maturidade é isso mesmo, gostar dos outros com os seus defeitos, e apreciar as suas qualidades.
Percebi que por detrás daquela postura e dignidade imensas, a minha mãe tinha uma maneira única de estar na vida, uma credibilidade e esperança nos outros, uma pureza de sentimentos sem fim.
Foi preciso ser mãe, para entender que marcamos profundamente a maneira de ser e de viver dos nossos filhos.
Tenho esperança de conseguir ser para os meus filhos, um bocadinho do que a minha mãe foi para mim.
Só um bocadinho, porque também só consigo ser um bocadinho do que ela foi…
Continuo a achar que a minha mãe foi a melhor do mundo, mas que eu sou a mais sortuda, por ter uns filhos assim, como os meus…
Ainda falta um ano para ter outra vez o pequeno-almoço na cama!

Quarta-feira, Maio 3

O dom

Tivesse eu o dom de colar sentimentos na alma…
Pudesse eu tirar daqui e pôr ali…
Ah, como era bom ter esse dom!
Encontrei uma serenidade. Apanhei-a e guardei-a cá dentro, no lugar onde julgo estar o coração. Não aquele que bate a ritmo certo, mas aquele que se entristece ou alegra com as pessoas.
Então, com a minha serenidade nova, ficou tudo tão suave…
Olha o sol, que lindo que está!
E o dia durava, durava, até que eu me cansasse de o ver.
Mais à frente vi um sorriso. Fiquei logo com ele. Fez-me jeito, que eu tinha perdido o meu já há algum tempo e estava a fazer-me uma certa falta.
Ficaram espantadas, as pessoas que por mim passaram nesse dia…
O meu olhar também ria, e notei que isso era importante para os outros.
Até me vi ao espelho várias vezes!
Afinal não é assim tão impossível como isso, apanhar sentimentos.
Tenha eu o dom de imaginar por muito tempo…

Sexta-feira, Abril 28

A balança

Com este calor, sinto saudades de outros tempos.
Lembro-me de tempos em que brincava e não tinha preocupações. Tive uma infância feliz (desiludam-se aqueles que esperavam que assim não fosse, para encontrar justificações para a minha maneira de ser).
Com um núcleo familiar que me era (e é) muito querido, não tinha porque temer o futuro.
Os anos passam....ó se passam!...As saudades que então não podia ter, foram aparecendo qual colecção....sempre mais, mais raras e valiosas. Tenho com elas uma relação saudável, creio, pois não são amarras, mas sorrisos, páginas douradas de um livro inacabado.
Tinha sonhos...num prato de balança, muitos...que o tornavam pesado àquele e desequilibrada a esta. No outro prato, nada... apenas o espaço para as saudades que agora tenho. Hoje, mais velho, sinto o equilíbrio, ainda assim recente, por ver os pratos ao mesmo nível. A minha colecção de saudades é hoje igual à de sonhos. Da evolução narrada, poder-se-á depreender que o futuro me trará mais saudades e menos sonhos. Que voltará o desequilíbrio, mas agora amargo. Não acredito. Sei, porque pela vida fora tenho tido motivos que o justifiquem, que terei amanhã mais saudades (ou saudades de mais momentos) do que tenho hoje. O segredo do equilíbrio será então fazer com que o prato dos sonhos continue a ficar mais e mais pesado. Como, se a vida nos torna mais descrentes e com menos tempo para sonhos?
Creio que não precisarei de muitos mais dos que já tenho (ainda que acredite vir a ter muitos mais), mas acima de tudo, os que tenho, serão cada vez mais importantes, terão mais peso. Não me tem eles, afinal, acompanhado toda uma vida?
Não quero apenas sonhar com ter saudades - quero vivê-las a cada dia - e muito menos quero chegar ao ponto de sentir saudades de ter sonhos.

Quarta-feira, Abril 26

Amigos de ouro, como o rio.



O rio estava turvo e já não pude ver o reflexo do brilho dos olhos que um dia iluminou os meus dias.
Mas na força da corrente, que teima em arrastar os dias como se fossem iguais, reparei que na margem alguém deixou esquecido bocados de vida, que eu apanhei, pedaços de riso estridente, calma e verdade sem fim.
Muitas palavras no silêncio, muita força no barulho, muita paz na confusão.
No embalo até à Foz, trouxe na minha bagagem valiosas sensações.
Eternas, como as margens.
De ouro, como o rio.

Segunda-feira, Abril 3

Juntos, porque sim.

Há uma “nuvem passageira que com o vento se vai”. Mas ainda não foi.
Resolveu descansar por cima da minha família.
Como sou feita de fé, desafio o S. Tomé, e creio, para ver.


Sinto um frio… não por culpa da nuvem, mas do vento, que teimo em chamar, a ver se a leva.

Como abrimos portas e janelas, e porque há mais pessoas com frio, entramos todos numa só casa, na terça-feira, agasalhamos a alma e aquecemos o coração e juntamo-nos numa noite de oração.
Juntos, porque somos só um, e porque quando temos frio sabe bem aconchegarmo-nos em alguém. Juntos porque é bom, juntos porque sim.
Na terça à noite, se alguém tiver frio, ponha uma mantinha em cima e junte-se a nós.

Quem tiver calor, abra a janela, e sopre com força, para ajudar o vento.
Na terça à noite, a rezar ou a soprar, juntos…

Quinta-feira, Março 30

Eclipses

"Bem disposto?
– Sempre!Também há pessoas que aprendem a suprimir e a negar os seus sentimentos através de distanciamento e insensibilização em relação a eles. Autodesligam-se dos seus sentimentos sem, contudo, terem consciência disso. Assim, quando essas pessoas são recompensadas socialmente por mascararem as suas emoções, acabam muitas vezes sentindo-se não ouvidas, alienadas, zangadas e deprimidas, sem saberem porquê. As suas vidas podem até parecer correr às mil maravilhas, mas elas sentem-se vazias, não preenchidas. Isto porque estão separadas das suas próprias emoções.
.
Que fazer com as emoções?
O primeiro passo na gestão das nossas próprias emoções e sentimentos é aceitá-las sem juízos de valor nem de culpabilidades. Ao aceitar as suas emoções e sentimentos está também a aceitar uma parte de si, cheia de força de viver, cheia de sabedoria sobre si próprio e sobre a qualidade das relações que estabelece com os outros, em especial de quem mais ama."
Jaime Graça Machado,Psicoterapeuta / Executive Coaching, 2005

Hoje deu-me para aqui. Para citar, “copiar e colar”. Mas o que acabo de ler e que para aqui copiei, é algo que acredito ser muito importante.
As pessoas acostumaram-se a disfarçar os sentimentos e as emoções. A não as demonstrarem, a controlá-las socialmente. Ficam assim, pensam, mais protegidas porque não serão magoadas em emoções que não demonstram. O resto pode-se controlar melhor que os sentimentos e as emoções. É assim por cobardia que na maioria das vezes nos defendemos destes e daquelas.
Errado! Mal!
Não sendo psicólogo nem tendo preparação nessa área, limito-me a constatar. As pessoas são menos coloridas. Riem e choram menos. Escondem-se. Vangloriam-se de vitórias que podem justificar com adjectivação socialmente aceite: Trabalho, aplicação, esforço, inteligência. Privilegiamos assim as nossas características “máquina”. São estas, características comuns ao computador…capacidade de processamento, trabalho sem parar, devoção total, e um grande processador. Porém, tal como as máquinas seremos ultrapassados. Hoje são o topo de gama, amanhã para nada servem.
Daí que pense ser exactamente o contrário. Temos realmente um processador, uma memória e capacidade de trabalho, mas o que nos distingue são as emoções e sentimentos. É com estes que ficaremos, quando a máquina estiver ultrapassada. É com estes que atingiremos estados de felicidade e não apenas conjunturas favoráveis.

Claro que não basta sentir. Ou melhor, não podemos sentar-nos confortavelmente no sofá “a sentir”. Temos que trabalhar, lutar em todas as frentes da nossa vida. Mas podemos e devemos fazê-lo sentindo. E temos a obrigação de educarmos o sentimento, para sentirmos o que é importante e bom. Como o educamos? Sentindo!


Quando me defendo e retraio as minhas emoções tudo acaba por ser mais negro. Não vejo luz, nem muito menos a deixo passar.


Eclipsar
v. tr.,
interceptar a luz de um astro;
encobrir;
ocultar;
enfraquecer;
obscurecer;
v. int. e refl.,
desaparecer;
sumir-se;
esconder-se (um astro).

Da Cidade e do País

Aviso já, que estando aqui e querendo partilhar do espírito de tal evento, tenciono lembrar-me de coisas que não lembram a ninguém.

2 - Afinal, a carga fiscal sobre salários em Portugal é abaixo da média da OCDE
E agora que "descobriram" isto? Lembrei-me (estão a ver que está a resultar?) que "eles" já sabem como devem resolver tal problema. Apostas?

3-"Canadá: Freitas do Amaral já está em Otava - Rádio Renascença - 5 horas atrás(07:21) - Freitas do Amaral, que chegou na quarta-feira à noite ao Canadá, vai pedir ao Governo de Otava que dê mais tempo aos portugueses para abandonarem o país. Antes de embarcar, o chefe da diplomacia ... "
"Portugal não repatria ilegais por falta de dinheiro - SIC - 2 horas atrás - Metade dos imigrantes ilegais convidados a sair de Portugal não o fazem. Isto porque, segundo a Comissão Nacional para a Legalização de Imigrantes, Portugal não tem dinheiro para efectuar a expulsão. ... "
.
Descubra a diferença (Como é de grau elevado, apenas 1 diferença existe entre as duas imagens)

Domingo, Março 26

Fiquem comigo

Soubesse eu a profundidade dos vossos dias
Muito antes teria mergulhado neles.
Não fui eu que vos escolhi,
Mas sim a vida.
Fiquem comigo hoje, sempre, até à eternidade,
Seja isso aonde e quando for
Para lá do mundo, para lá do tempo.
Fiquem comigo, sempre, por favor…

Quinta-feira, Março 23

I Love this game!

No futebol como na vida, quero em primeiro lugar vibrar com o jogo. Quero usufruir cada momento, festejar o golo marcado, doer-me com o sofrido. Mas intensamente. Sem protecções, sem fazer de conta. Quero, obviamente ganhar, mas o que nunca quero é jogar sem acreditar na vitória. Quero que a seguir a cada golo, a bola vá de novo ao centro para que o jogo recomece. Quero jogar bem, para ser mais um a elevar a qualidade do espectáculo, para fazer com que os adeptos acreditem no jogo deles.


Mas nesta ao contrário de naquele, o treino é o jogo em si. Aprendemos hoje, que nesta circunstância esta estratégia resulta mas aquela não, que aqui devemos arriscar e ali privilegiar o conjunto...
Fundamentalmente, na vida acreditamos que é campeão quem fez o seu melhor, tentou, lutou…acreditamos que existem muitos campeões. Queremos que outros sejam campeões connosco porque todos juntos teremos mais pontos, faremos muito mais atractivo o campeonato.

E os árbitros, aqueles que deviam servir para que tivéssemos as condições para só pensarmos no jogo, sem injustiças e que muito acabam por falhar? No futebol, como na vida, devemos tentar que sejam bons. Que tenham todas as condições para o seu trabalho. As instituições não deveriam influenciar o jogo, mas criar as condições para que todos tivessem igualdade de oportunidades e tratamento.
Os árbitros, como por exemplo os Governos devem abster-se de fabricar os resultados…Devem tudo fazer para que todos joguem e acreditem nas regras. E nós não podemos alhear-nos da sua escolha, da avaliação do seu trabalho e de permanentemente mostrar que estamos atentos.


O que não podemos, é distrair-nos do jogo, ficando apenas na crítica fácil, que nos desculpabiliza, sem apontar alternativa.
Foi mau? Faremos com que amanhã seja melhor. Perdemos hoje? – Ganharemos amanhã.

Mas venha o jogo…Que soe o apito e role a bola… Quero jogar!

Domingo, Março 19

Virar de páginas...

Virando aquela folhinha que aqui assina, vemos tudo dela.
Ternura, sentimento, amor, paz....
Nesta altura que é de viragem de páginas, só quem ler (pequenos ou grandes) o ficam a saber.

P.S. - Ficarão a saber quando sair a segunda edição.

Mais informação AQUI

O corredor que leva à sala (II)

Eu não tinha dito que a sala seria pequena?


Quinta-feira, Março 16

A1 * 2

Fazer a auto-estrada que separa o Porto e Lisboa dá cabo de mim. Pior se o fizer sozinho e duas vezes no mesmo dia… Tipo uma “ó p’ra lá” e outra “ó p’ra cá”!
E isto porque não tendo com que distrair a mente, o que faço? Contas, estatísticas, análise de performance e resultados, objectivos a cumprir, percentagens acima ou abaixo do estabelecido, etc.
Rebenta-me. Sim, este vosso amigo, qual eminente matemático, vem o caminho todo a trabalhar com números.
Hora de saída, provável hora de chegada a uma média de x km/h, confirmação do cumprimento dessa meta a 1/4, 1/3, e a metade da viagem. Correcção da média horária da viagem ou da parcela da dita acabada de finalizar, contabilização dos kms que faltam dado o tempo gasto.
Final da primeira etapa.
Fez-se a viagem com objectivos de trabalho para cumprir. Resolvem-se bem. Que custa uma ou outra reunião e a resolução de problemas menores?
Viagem de regresso:
Repetição de todo o trabalho efectuado quando “ó p’ra lá”. Mais. Pior. Terror! Comparação de resultados parciais (a um quarto, um terço ou meia viagem) com os efectuados “ó p’ra lá” Tá melhor. Mas p’ra chegar às xx tenho que incrementar a velocidade em quantos quilómetros por hora? E as médias? Como estão as médias de consumo? Curioso, “ó p’ra cá” estou mais rápido mas com uma média 0,8 % inferior de consumo. Isto quer dizer que no total e tendo em atenção que o litro de gasolina custa x, para lá gastei y e para cá y-0,8% o que dá exactamente Z.
Curioso é que cinco minutos depois de chegar apenas sei os quilómetros efectuados. Nada mais. Claro que posso saber quantos foram “ó pra lá” e quantos “ó p’ra cá”. Basta dividir por dois. Mas… mas não…porque saí para almoçar… Aí fiz 12 kms… portanto se subtrair estes….
Bolas…. Preciso de férias!

Domingo, Março 12

Eu preciso saber

Como ajudar quem nao quer ser ajudado ou não percebe que precisa de ajuda?

O corredor que leva à sala.

Hoje, nesse corredor frio, solitaria no meio da tantos. Amanhã, não será corredor, será uma sala, concerteza pequena para albergar alguns dos que tem a sorte de te conhecer. Força!

Camisolas novas

Uma série de acontecimentos impressionantes aconteceu nos últimos dias a e entre pessoas que me são caras.

Não sei com quantos já verbalizei a costumeira constatação destas alturas: “É nestes momentos que tudo pomos em perspectiva, em que reequacionamos a nossa escala de problemas, em que percebemos a importância que damos ao supérfluo”. Com alguns não o fiz, mas é fácil perceber que mais do que nunca, todos pensamos o mesmo.

Incrível a violência de algumas situações. Questões intemporais, de um ser humano que nunca perceberá os mistérios do mundo em que vive, ficam no ar. Porquê? Porquê a ele, ela ou eles? Porquê agora? Como pode ter acontecido, ou como vai ser agora?

A dura certeza de que nada se pode fazer para evitar o que aconteceu, a impossibilidade de alterar factos, transporta-nos para outras dimensões. Como ajudar, como acompanhar, que fazer por ele, ela ou eles?

Quando são estes sentimentos que nos ocupam a alma e mente, deixa de haver espaço para o menor. Existe uma espécie de purificação resultante dos factos e do que eles em nós mudam.
O que acontece em muitos casos? O ser humano não domina bem este estado de espírito. Foge-lhe ao costumeiro controlo. Procura rapidamente equilíbrios que o voltem a possibilitar dominar a situação. É compreensível. É humano.
No entanto as grandes conquistas feitas quando sobre o efeito emocional destes acontecimentos, prologam-se pela vida fora. Na união das pessoas, no reposicionar de prioridades.
Como por magia, algumas perguntas para as quais procurávamos resposta há muito tempo, desaparecem. Não, não encontram respostas, apenas desaparecem as questões, porque insignificantes.


Mais fortes do que nunca, sabemos então que os tais factos, de natureza de todo incompreensível, conseguiram mudar-nos. Que estamos diferentes e avançamos uns quantos passos. E dedicamos esses passos a quem, mesmo sem nos conhecer, mesmo sem querer e sem saber, esteve na sua origem.

Novos desafios nos esperam nos próximos dias, alguns deles aqui tornados públicos.
Venham eles, que temos vontade de os atacar, com estas novas camisolas.

Sexta-feira, Março 10

Faz favor de prestar atenção

A Gerência desta casa tem o prazer de convidar V. Exas para :

Clicar na imagem para aumentar

Quinta-feira, Março 9

O Benfica e os Beatles

Não sou do benfica, mas chegou-me este relato dos acontecimentos de ontem aos ouvidos e não podia deixar de o partilhar.

A história começa assim:

"The Night Before" o jogo um aviso de bomba no hotel.
Calma. Veiga só lhes disse: "Act Naturally", "All things must pass"!

Dia do jogo. Nervos à flor da pele.

"Come Together" Disse-lhes Koeman ainda no balneário.
"Listen,Do you want to know a secret"?
Nós vamos ganhar o jogo e "I Need You".
Mandou os rapazes para o campo e ainda acrescentou:
"All Together Now".

O jogo lá começou. O treinador inquieto no banco.
Aqui e ali, instruções lá para dentro:
"Get Back"
"Not A Second Time", Luisão, "Not A Second Time"!
Chegou-se mesmo a ouvir um berro "HELP", creio que de Moreto, mas a bola foi à trave.

35 Minutos de Jogo... Simão.. remata .. golo!!!

Correria desenfreada, comemoração no banco :
"Hold Me Tight" dizia Simão

No intervalo o treinador só lhes dizia "Words Of Love" enquanto preparava a segunda parte

Recomeço do Jogo...
Koeman e freneticos"Let it be"...corrigia "Fixing A Hole"

74 minutos ... Nuno Gomes passa no banco e diz:
"Hey Jude", "I'm so tired"

Miccoli é chamado: "Baby it´s you"
12 minutos depois de entrar, remate Golo!

Correria para os adeptos!
"FROM ME TO YOU" repetia insistentemente!

O Jogo acaba.

Rafael Benitez, passa por Koeman e diz:
"Baby, You're A Rich Man" but money "Can't Buy Me Love"

Koeman responde - It was "A Hard Day's Night", dont "Ask Me Why" and please "Don't Bother Me".

Miccoli tinha sido decisivo. Koeman disse-lhe no balneario: "Your Mother Should Know"!

O pequenino respondeu: Vou fazer uma festa, e "When I Get Home", "You Won't See Me"!


Koeman estava extasiado. Pensava para consigo - Outra destas só "When I'm Sixty-Four"

Como curiosidade apenas as más línguas que dizem que Simão já tem tudo tratado com o Liverpool, para a próxima temporada e que depois da conversa com L.F. Vieira já se sente "Free as a bird".
Note-se o que disse aos jornalistas Ingleses: "Good Night"; "Goodbye" and " "ll Be Back".

Domingo, Março 5

Estado de alma

Um dia, um simples dia, de cada vez…
Acordo cheia de ânimo, de paciência, de esperança de estar melhor. E estou.
Acho que o mundo é meu, e que sou privilegiada.
Afinal tenho imensa sorte. E sei que tenho tido, de facto.
Ainda por cima:
Tenho tantos amigos, uns filhos fantásticos, um marido dedicado e que me adora, uma sogra disponível, uns irmãos que fazem parte de mim.
Tenho ainda uma cunhada irmã tão amiga, umas tias preocupadas, umas primas tão presentes.
Tenho tido provas de amizade, preocupação e ternura sem fim.
Tenho padres a rezar, freiras a pedir, terços rezados por mim.
Tenho o meu livro. Está tão lindo, estou tão vaidosa, tão preenchida, tão realizada, um pouquito ansiosa, mas…
Até tenho um priminho especial que nasceu ontem!
A glicínia do meu jardim abriu o primeiro cacho roxo em frente à minha janela, só aquele, para eu ver, o sol hoje está tão brilhante, e é para mim, eu sei.
Até o meu cão, olha com ternura especial.
Tenho tanto, meu Deus, tanto…
Queria tanto agradecer com todas as minhas forças, entrar nesta Quaresma de coração livre e alma aberta, despojada de qualquer sentimento menos bom.
Falta-me a minha mãe ao pé de mim…
Falta-me o resto da saúde que não sinto…
Falta-me deixar de pensar, em alguns minutos angustiantes do meu dia, porquê a mim?, porquê?

Quinta-feira, Março 2

Um dia, um simples dia.


Foi aqui que estive no carnaval. Ainda que a foto seja do verão passado, o local é o mesmo. Assim, neste mesmo ponto, tive vista privilegiada para o corso, em baixo.

Estava sol, como no dia em que foi tirada a foto. Uma cadeira confortável e desfrutando a vista. Agasalhado por uma refeição de acordo com a tradição e regada convenientemente, ali se podiam passar horas.
A quietude, o horizonte aberto, a paragem. Como revigora! Por um momento tive a sensação de que algo se tinha movido. Não, não era possível…Eu estava defronte de um quadro, estático, porque perfeito no momento.

As horas passando, o anoitecer que se anuncia…o frio que regressa…o horizonte que encurta.

De dentro, vapores de outra refeição que se prepara, calmamente, para que ganhe sabor e a fome regresse. Luzes que se acendem, grupos que se juntam… gargalhadas cúmplices de quem se entende. Harmonia. Paz. Gratidão.

Se a vida são dois dias e o carnaval três, não deveria este momento ter durado mais do que a vida, um dia, um simples dia?

Sexta-feira, Fevereiro 24

Isto tá bonito, tá!

Ontem, a horas que desconheço, alguém entrou nos arrumos de minha casa, roubou-me vinho e cagou lá dentro.

Faz-te mal o verde tinto, ò fdp?!!!

Quarta-feira, Fevereiro 22

Muito obrigada

Tenho recebido tanto e só tenho isto para




Terça-feira, Fevereiro 21

Dueto

Quando num duo falta a voz, a guitarra toca triste, baixinho.

Sexta-feira, Fevereiro 17

Para que serve um blog?

É a pergunta mais difícil daquelas que envolvem o fenómeno dos blogs.
Comecei este, sem saber exactamente o que lá iria escrever, pois não costumava escrever muito para além daquilo que é necessário para a gestão da vida pessoal e profissional. Nunca escrevi para a gaveta. Não sabia o resultado da minha escrita livre desde os trabalhos para a escola.

Tenho para aí escrito umas coisas, algumas com pretensões a reflexão séria, ainda que nunca muito profunda, outras com carácter mais leve na tentativa de fazer despertar um ou outro sorriso. Tenho gostado da experiência. Tenho também um problema novo: Hoje estou sempre a tentar descortinar um assunto que “dê” post. Chega a ser cansativo.

Entretanto, a meio do caminho, sabendo dos dotes da Leonor, convidei-a para aqui se juntar a mim. Como expliquei na altura, enriqueceria a tasca e os escritos da Leonor seriam partilhados fora de casa. Essa foi sem dúvida, uma aposta ganha. Creio que todos reconheceremos que não se faz um blog a meias com qualquer um. O estilo do blog é pessoal, obrigando assim a que existam muitas sintonias entre os seus autores.

Mas nada disto responde à pergunta: Para que serve um Blog? Não sei, nem creio que um dia venha a saber. Mas hoje descobri uma utilidade que pode ter. Criam-se laços na Internet, principalmente quando lemos os outros com verdadeiro interesse naquilo que dizem e escrevem. Já assisti aqui a manifestações de solidariedade que me tocaram.

Ora, por isso mesmo, queria partilhar convosco duas coisas:

Primeiro: A Leonor vai editar um livro. Estava a guardar esta notícia para quando tivesse a “capa”. A responsável pela ilustração já se adiantou, daí que, para já, os convide a ver o que já sabemos. Está aqui. Mais pormenores a seu tempo.

Segundo: A Leonor está doente. Não é rapariga de grandes queixumes. Mas a doença fragiliza-a numa altura importante para ela. Porque sei que a Leonor SENTE como ninguém, tomei a liberdade de tornar isto público, para que todos os que lemos e escrevemos blogs, encontremos uma razão para aquilo que é o nosso costume e sintamos com ela.
Ser solidário é algo que vai rareando. Aqui, temos todos a oportunidade de o ser.

Melhoras prima!

Quinta-feira, Fevereiro 16

Haiti Department

Um tipo fica lixado!
Já por aqui, na blogosfera, li muitas críticas aos departamentos informáticos das firmas.
Impedem isto, aquilo, tornam inacessíveis determinadas páginas ou programas.
“São tipos horríveis com a mania que controlam os outros. Afinal quem melhor do que eu, para saber se devo ou posso aceder a determinada página ou programa? E a eles, quem os controla?” …

Ora, tudo isto pode em alguns casos ser verdade. Noutros não.
Seguindo o bom senso, desenhei a política de acesso à Internet e de uso dos computadores, para a firma onde trabalho. Não fechei o acesso a praticamente nada, apenas fiz seguir informação sobre o tipo de utilização que se devia dar aos computadores e aquilo que não é permitido. De uma forma geral segui a legislação existente e que regulamenta isto mesmo.

Ontem, o departamento foi chamado: Um computador estava com problemas. Os colegas foram, analisaram e descobriram tratar-se de um novo vírus que não tinha sido detectado pelas nossas defesas e que exigia, para se instalar, a participação activa do utilizador. Ainda que mascarada de falsos avisos.

Entregue um pc de substituição ao utilizador, eis que reclamo para mim a tarefa - que cedo se conclui ser bem árdua - de remoção do dito bicho. O utilizador tem password para iniciar o Windows e as definições do I.E. preparadas para guardar o historial de visitas na Internet por apenas um dia. Foi-lhe perguntado se algo de estranho tinha acontecido. A resposta foi, o típico “não, não percebo… ficou assim de repente… ainda nem tinha ligado a Internet”.

Bem… instalo o pc à minha frente e sabendo o nome do dito vírus, resolvo em primeiro lugar, procurar por informação recente no google. Escrevo no browser (o utilizador não tem a página nos “favoritos”): www.goog...
Quando olho para a barra de endereços, esta dá-me a informação: Afinal já se tinha ligado à Internet! Afinal já se tinha feito uma ou várias buscas, que o assunto é vasto…Mandei cópia do ecran para o meu mail, pois julguei interessante partilhar.

Está aqui.

E agora digam lá… os tipos da informática não são uns chatos?
E já agora, depois daquelas buscas todas, a última era mesmo necessária? Ou não será só o computador que está infectado de doenças estranhas e modernas?

Bem, um dia e meio depois o problema está resolvido. O utilizador está aborrecido, porque ficar este tempo todo sem o SEU pc é muito desagradável.
Desculpa lá, ò asiático!

Segunda-feira, Fevereiro 13

Para uns amigos

Com alguns amigos, comecei um projecto há 4 anos. Hoje, quero dizer a todos, esses que comigo começaram, os que saíram e aos que posteriormente entraram:

Cancioneiro - # 108

Sexta-feira, Fevereiro 10

Eu queria, mas queria tanto!

Gostava de espalhar paz à minha volta,
Semear felicidade,
Colher serenamente o fruto que daí viesse.
Distribuí-lo, por todos quanto gosto
E sobretudo aos restantes.
Queria ser
(como se tivesse essa capacidade…)
Um fazedor de alegrias.



Amar incondicionalmente qualquer um que viva, como eu.
Dar, doar, partilhar
A minha vida,
As minhas dores,
O meu sorriso,
Os meus dias luminosos ou tristes.



Enquanto não consigo ser assim,
Ausente do meu sentido de posse,
Em relação aos meus, ao tempo e a tudo
Deixo esse papel ao Meu Deus,
Único Construtor de vidas.
Quanto a mim,
Resta-me tentar

Ter uma vida construtiva.

Quinta-feira, Fevereiro 9

Desproporções

É um mundo violento, este em que vivemos. Não são muitos os espaços de descanso e de enriquecimento humano que vamos tendo nesta batalha de exigências que é a vida.

É por isto estranho que seja com as pessoas de que mais gostamos, que mais discutimos; que se arranjem problemas onde devíamos encontrar o equilíbrio. Se são poucas as ancoras de sanidade e alegria que temos, porque as tratamos tão mal?
É minha leitura que somos exigentes com quem gostamos. Daí as discussões. Daí o cobrar de perfeição.
Acontece que travamos muitas vezes batalhas que só podemos perder. Em nome de valores, de moral, e até de Deus, muitas vezes arriscamos demais.

Os tais espaços de equilíbrio e retempero de forças deviam assim ser vitais e tratados como tal. Dependem de pessoas e das suas relações. Um grupo é o que os seus membros quiserem. É melhor ou pior consoante a dedicação verdadeira de cada um dos seus constituintes. Como no futebol é dito muitas vezes, o colectivo é (deve ser) maior do que a soma das partes. Não sendo assim, cede o colectivo, perde o individual.

Existe aqui e ali a tentação de querer defender os nossos princípios de tal forma, que os atraiçoamos. O ser humano valoriza-se na luta por eles e não na desistência por desacordo. Temos reacções desajustadas aos problemas. Veja-se o recente caso da publicação das caricaturas de Maomé em jornais Dinamarqueses. Não querendo aqui discutir a legitimidade de o fazer ou não, ressalta uma desproporção entre a causa e os efeitos (mortos, inclusive). E isto em nome de quê? De princípios. De bons princípios, sejam eles a liberdade de imprensa, ou o respeito pela fé de cada um.

Ao verbalizar isto quero consciencializar-me a mim mesmo que devo lutar cada vez mais pelo que acredito, sem com isso atropelar ninguém. Não quero desistir, quero insistir.

A todos, dos meus condomínios, peço que em nome dos ideais que partilhamos, lutem comigo e me animem quando me virem fraquejar.

Segunda-feira, Fevereiro 6

Correntes

Ora bem,

Fui hoje desafiado por dois vizinhos para uma alergia minha: Ser elo de duas correntes. Ora, por consideração para com os dois, responderei embora não dê sequencia.

Assim, os cinco hábitos estranhos a convite da alya:

1 – Benzer-me antes de entrar em campo;
2 – Celebrar os golos com um mortal à retaguarda;
3 – Escrever o meu prognóstico para o jogo na roupa interior;
4 – Gostar de usar o número 10 nas costas;
5 – Ter a mania que sou um importante jogador de futebol.

Agora 5 coisas importantes na gaja, desafio do bandinho:

1 – Sentido de humor;
2 – Inteligência;
3 – Gosto por cerveja;
4 – Movimentar-se com ligeireza na cozinha;
5 – A gaja deve dar valor ao seu gajo. E saber demonstrar isso.

Domingo, Fevereiro 5

Só me faltava esta

O meu blog ganhou vida própria.

Pois é, não sei mesmo como dizer isto de outra forma. A criação virou-se contra o criador. Estou com medo do que possa vir a acontecer.

Primeiro, um susto que me pregaram no Messenger e do qual ainda estou mal refeito:

Miguel - dizia a interlocutora – O Blog? O Blog desapareceu!

O que eu corri para me certificar que de mim, não tinha ele desaparecido. Mas não. Encontrei-o lá calmamente, embora assegurando como de costume “Eu vou ali e já venho”. Menos-mal, a ameaça ficou, mas também lá estava tudo aquilo que nos dias que vão correndo, mais me faz rir de mim próprio.
Desde aí o criador ficou atento. Creio mesmo que, não tivesse desactivado no contador de visitas, aquelas por mim próprio feitas, já teria seguramente o triplo!

Mas hoje voltou a dar um ar da sua graça: Recebo no mail, como de costume os comentários pacientes, de gente que simpaticamente me visita e acha por bem tentar-me fazer ver devagarinho (não se deve tirar a razão a um louco), que estou enganado neste ou naquele ponto, que talvez não seja bem assim e tal. Ora isto é importante. Quando voltar a ter dias em que a minha disposição seja exactamente a mesma do que quando escrevi determinado post, basta lá ir e ver o que então me aconselharam tão altruístas leitores. Pois bem, como dizia, o Blog, tomou-se de vida própria. Recebo mails com os ditos comentários, que depois não aparecem na respectiva área do blog. Acho muito desagradável. Para os “comentaristas” em primeiro lugar e para mim próprio porque perco a possibilidade em cima descrita de os ler quando disso sentir necessidade.

Habituado que estou a dizer às pessoas que reflecti e mudei de opinião, que me desculpem por ser tão impulsivo, vejo-me agora na contingência de ter que pedir perdão pelo mau feitio do meu blog.
Espero francamente que ele tenha feito isso só para chamar a atenção, dada a sua tenra idade… e que não volte a repetir tão deselegantes gestos, onde se parecem reconhecer características paternas.

Desculpas pedidas, apenas uma palavra directa para o blog: Olha lá, ó menino: Não se desaparece sem se dizer onde se vai e muito menos, se escondem as coisas das outras pessoas. Fica aqui o aviso, ou vais mesmo para ali sem saber se voltas.

Elogio da loucura

Sinopse do Elogio da Loucura de Erasmo de Roteramm de autoria da L & PM Editores:

'Neste libelo do teólogo Erasmo de Rotterdam (1469-1536), quem fala é a Loucura. Sempre vista apenas como uma doença ou como uma característica negativa e indesejada, aqui ela é personificada na forma mais encantadora. E, já que ninguém mais lhe dá crédito por tudo o que faz pela humanidade, ela tece elogios a si mesma. O que seria da raça dos homens se a insanidade não os impulsionasse na direcção do casamento? Seria suportável a vida, com suas desilusões e desventuras, se a Loucura não suprisse as pessoas de um ímpeto vital irracional e incoerente? Não é mérito da Loucura haver no mundo laços de amizade que nos liguem a seres perfeitamente imperfeitos e defeituosos? Nas entrelinhas de Elogio da Loucura, o humanista Erasmo critica todos os racionalistas e escolásticos ortodoxos que punham o homem ao serviço da razão (e não o contrário) e estende um véu de compaixão por sobre a natureza humana. Pois a Loucura está por toda parte, e todos se identificarão com algum dos tipos de loucos contemplados pelo autor. Afinal, como ele próprio diz, "Está escrito no primeiro capítulo do Eclesiastes: O número dos loucos é infinito. Ora, esse número infinito compreende todos os homens, com excepção de uns poucos, e duvido que alguma vez se tenha visto esses poucos". '

Sexta-feira, Fevereiro 3

Desabafo

O ser humano é triste, porque na sua liberdade opta as mais das vezes erradamente.
É bélico, primitivo por natureza e estúpido, porque mesmo conhecendo o verdadeiro prazer, insiste na escolha errada. Enche-se de si próprio e age como um deus. Escolhe o seu caminho, que percorre ufano, ombros direitos, surdo a si mesmo e ao mundo, deleitando-se com pequenas vitórias, vendo o seu orgulho espezinhando o seu par.
Assim, acordará amanhã pior do que hoje se deitou.

E insistem em chamar a isto evolução!

Sei lá, deu-me para aqui!

Quarta-feira, Fevereiro 1

Aquele cheirinho...

O meu pai ia buscar o carro branco, nos fins de tarde dourados, e íamos, com mais uma dúzia de amigos lá dentro, comprar castanhas ao senhor que estava na rotunda do Castelo do Queijo, numa mota que deitava fumo com cheiro a Outono. Não que o caminho fosse longo, mas o meu pai adorava castanhas, e o cheiro ficou para sempre dentro de mim.

A minha mãe preparava o cesto de verga, a manta escocesa, os talheres e pratos dos acampamentos, e lá partíamos nós. Parávamos num pinhal para fazer o pic-nic. Havia bolinhos de arroz, ovos cozidos, melão e batatas fritas. Havia alegria e paz. Finda a refeição continuávamos o nosso caminho, no carro largo, cor de canela. Lá nos arrumávamos, sem cintos, o que tornava tudo mais fácil. Estava sempre muito calor. O cheiro desenhava-se agora em forma de uns biscoitos maravilhosos que só havia em casa da minha avó, confundido ainda com o cheiro do melão que ainda sinto nas minhas mãos. Começávamos a sentir o aroma da serra, com as suas curvas e surgia a discussão. Um tinha que ir à janela, se não enjoava e depois o cheiro era bem pior. Dois disputavam a outra janela, e o bom do irmão do meio, lá ficava intercalado entre eles e apanhava o estalo que voava da frente. Eu, tinha a sorte de ser pequenina e de ir à frente, ao colo da minha mãe, e hoje sinto falta do seu cheiro.

O eucalipto, o cheiro a Natal, a erva-doce do folar da Páscoa…

O que haverá de mais simples que a recordação de um cheiro?
Demoramo-nos uma eternidade num segundo, porque nos vêm à memória dias e dias de recordações, umas boas, outras não…

Terça-feira, Janeiro 31

Troca de medalhas

O Sr Bill Gates está hoje em Portugal para participar no “Fórum de Líderes” organizado pela Empresa que fundou.
Nada me move contra o Bill. Bem pelo contrário. Acho-o um homem digno dos maiores elogios. Com colegas fundou uma empresa que hoje é omnipresente no nosso quotidiano. Revolucionou hábitos e costumes. Democratizou o uso do computador. Criou sistemas operativos e software que, pese embora as críticas de que são alvo, tem vindo a provar, por isto ou aquilo, serem o melhor que se faz para a generalidade do público consumidor. A bem da verdade reconheçamos que só podemos criticar o que existe e apesar de obviamente encontramos falhas (por vezes exasperantes) nos produtos que a Microsoft lança, a maior parte das pessoas usa-os hoje porque acredita na sua eficácia.
Além disso o Sr. Bill tem provado ser um homem atento à sociedade que o rodeia. Tem ajudado de diversas formas um mundo que o trata mal. Enormes doações de dinheiro para países subdesenvolvidos; para tratamento e investigação de doenças… Dirão alguns que é o homem mais rico do mundo; que não lhe faz grande diferença… De acordo. Mas mais uma vez, ele faz. É voz activa, com participação eficaz e exemplo de cidadania.
Ora vem isto tudo a propósito de o Sr. Bill ir ser agraciado pelo Presidente da Republica com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Isto sim já acho estranho. Parece-me de novo o nosso típico provincianismo. Vemos aqui que “Ordem do Infante D. Henrique visa distinguir os que houveram prestado:

  • Serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro;
  • Serviços na expansão da cultura portuguesa, sua história e seus valores"


Porém, o Sr. Bill vai ser condecorado “pela sua acção filantrópica no combate à pobreza e às doenças nos países mais pobres”. Não entendo. Estou enganado, ou não era esta a medalhinha que o Sr. Bill devia levar para casa?

Esclarecimento urgente!

Não, eu não sou o senhor dos dois últimos posts.
Acaso eu quereria o Simão nos Cantos dos Lusíadas?
Acaso estou eu doente?
Não! Estou de muito boa saúde, obrigado.

Segunda-feira, Janeiro 30

Azar!

O senhor do post abaixo está extremamente doente!

Quarta-feira, Janeiro 25

Vermelho

Ele era tão benfiquista, tão benfiquista, tão benfiquista, que até os Cantos dos Lusíadas, ele queria que fosse o Simão a marcar!

Esclarecimento

Não sei como lhes dizer isto. Mas creio que o devo fazer. Eu não sou a Leonor. Chocante, hein? Porque já várias pessoas me perguntaram se era uma espécie de personagem criada por mim, porque alguns comentários aos posts sugerem a confusão, fica aqui esclarecido. A Leonor existe. É minha prima; amiga. É até uma grande amiga. A sua personalidade e maneira de ser, na minha opinião, são bem visíveis nos textos que escreve.
Se eu escrevesse aqueles textos, meninos, acreditem que assinaria por baixo e não lhes colocaria um qualquer nome inventado.
P.S. Ela utiliza caneta azul e eu preta para escrevermos os nossos textos.

Terça-feira, Janeiro 24

A desconfiança

Ainda não consegui definir bem o que sinto e o que aconteceu.
Hoje fui ao Hospital com a minha filha, Graças a Deus nada de grave.
Quando eu ia a chegar, à minha frente ia uma senhora que, devido à urgência da situação e ao estreito espaço disponível, deixou o carro de qualquer maneira e entrou com o filho, num estado muito, muito mau.
Evidentemente. Eu faria o mesmo.
Entrei para a sala de espera e atrás de mim um polícia, a exigir à senhora que deixasse o seu filho sozinho, teria 11 ou 12 anos, e naquele estado lastimável, e que fosse estacionar o carro num sítio apropriado.
Como o senhor polícia não se ofereceu para mudar o carro de lugar, fui falar com a senhora, já que a minha filha não estava assim tão mal.
–“Se confiar, eu posso ir guardar o carro” – disse na melhor da boa fé.
A senhora olhou atarantada, agradeceu, mas recusou.
-“ Não se preocupe que eu não lhe levo o carro. Olhe, até lhe deixo a minha filha aqui ao pé de si” – insisti.
Era a única coisa que eu tinha mais valiosa do que o carro dela.
A senhora recusou novamente, deixou ali o filho, péssimo e a pedir à mãe para não ir, e lá foi ela, cumprir a ordem do polícia.
Coitada, estava mesmo confusa, preocupada, não duvido, mas …
Terei eu um ar assim tão miserável que a senhora entendeu a minha oferta como moeda de troca – a minha filha por um carro?
Acharia ela que eu ia fugir com o seu Mercedes descapotável, lindíssimo, por sinal, e deixar-lhe a minha filha?
Prefiro pensar que não, tenho-me farto de pensar nela. Deve estar numa aflição terrível.
Mas a desconfiança com que olhamos para todos, muitas vezes não nos deixa ser ajudados.
Espero mesmo que o rapaz fique bem…

Segunda-feira, Janeiro 23

A revolução está em marcha.

Meus caros: A revolução continua. No meu condomínio, nota-se já, uma postura bem diferente. As pessoas riem-se, falam, convivem. Existem até casos engraçados de entreajuda, como o da senhora do3º Dto que está a levar isto tão a sério, que anda a ajudar o músico do 2º esquerdo. Pelo menos julgo que sim... ainda hoje de manhã a vi a saír de casa dele com um aspecto bem cansado. Que belo exemplo!
Mas, como em tudo, o problema está em definir os limites. O que pode ser muito bom para uns, pode ser horrivel para outros. Deve procurar-se um ponto de equílibrio entre os "sem limites" e os "limitados".
Uma das nossas congéneres (sim que isto da revolução é coisa séria e internacional), mais própriamente os revolucionários de Roma, está a passar pelo mesmo problema. E foi imperioso recuar um pouco. Reparem no que tiveram de afixar na parede do condomínio.

Sexta-feira, Janeiro 20

Animação

Como primeira medida para começar a "animar a malta" foi decidido que se partiria do prédio e dos vizinhos, para a cidade e para o mundo.
Assim, decidiu-se e já está em prática a animação no condomínio. Existem equipas responsáveis por cada semana. O resultado do primeiro trabalho fica aqui.

Terça-feira, Janeiro 17

Smile

O sol não esbate recordações, mas sim as fotografias.
Acontece tantas vezes…
Acontece olhar pela milionésima vez para uma, já sem cor e amarelecida, e lembrarmo-nos do dia em que foi tirada, das histórias contadas sobre ela, do que sentíamos na altura.
Há coisas que ganham vida, assim, e novas histórias…
Tenho fotografias antigas, do tempo dos meus avós, e dos meus pais em pequenos, que têm vida própria.
É impossível, mas parece que vivi lá, conheço de cor os cantos, rio-me com as histórias daquele dia, sinto o cheiro das suas roupas. Percebo as simpatias e hostilidades, sinto a ternura e o calor de algumas.
Nas fotografias dos casamentos, sinto a felicidade e a música, rio-me com o formalismo e adivinho as emoções.
Gosto disso. Dá-me conforto e equilíbrio. São recordações, momentos que fazem parte de mim, que transbordam vida.
Só podiam ser minhas.
Enchem-me a casa de alegria, nostalgia, saudade e risos.
O que somos hoje, começámos a ser já há tanto tempo…

Segunda-feira, Janeiro 16

Não faltes

Esta sociedade está perdida. Os sócios não se entendem…
O plano A e o plano B para solucionar os problemas do país, falham repetidamente. E o que acontece? Substitui-se um por outro, numa circular que se aproveita da nossa grande capacidade de esquecer. Entretanto a rivalizar com o incrível número de notícias, sobre desgraças económicas (falências de firmas, desemprego, aumentos….), um crescente número escândalos. Já não é só no futebol, também no governo do nosso país estamos a rivalizar com a América do Sul.
São constatações óbvias do rumo das coisas. Não se pode ignorar o fenómeno. E todos os indicadores são preocupantes. Desde logo os económicos mas, na minha maneira de ver, o pior é que o plano C, nunca mais é tentado. O nível de cultural de um povo, a sua educação, são os suportes que devem servir de base ao desenvolvimento das sociedades. E que apostas tem este país feito nesta direcção?
Obviamente, numa organização do salve-se quem puder, “o portuga chico esperto” apenas tem que deixar florir as suas inatas capacidades. Substituem-se valores por favores. E mesmo um idealista e optimista como eu, começa a ter dúvidas de que se queira modificar o actual estado de coisas. Ninguém quer o plano C. Os sócios (os tais que não se entendem) demitem-se de responsabilidades, faltam às assembleias-gerais e resignam-se à critica fácil. Proponho revolução, advogo o plano C. Reunião hoje ás 21h na sala do condomínio.

Quarta-feira, Janeiro 11

Não tenho tempo…

Com tempo, podemos pensar em fazer melhor, esquecermo-nos de nós em função dos outros, ter uma generosidade sem limites, lutar por aquilo em que acreditamos cheios de força e sem perder a esperança, com direito a manifestações e hastear de bandeiras.

Com tempo, podemos pensar que é sempre preferível ver para lá do lado mau, conseguir tirar partido de tudo o que os dias nos deram e tiraram, e transformá-lo em experiências de vida, que nos dão aquela sabedoria que só quem sofreu é que tem.

Com tempo, temos vontade de ser melhores, de ser alegres, de rir e de cantar, de dançar e de saber que somos capazes e vamos conseguir.

O tempo faz-nos chegar a inspiração em milhares de frases desordenadas que nos vêm ao espírito mas que as mãos não conseguem acompanhar.

E, finalmente, faz-nos ver, com calma e serenidade, que:
tudo tem o seu tempo,
que afinal o tempo somos nós que o fazemos
e que
fazemos do tempo o que nós queremos.

Terça-feira, Janeiro 10

Fidelidade

Vi-a! Finalmente! Confesso… é de perder a cabeça.
Tal como me tinham dito. Apenas mais alta ainda do que supunha.
As curvas, tal como esperava, pronunciadas, insinuantes.
Apesar de já não ser menina, ressalta o seu espírito vibrante. Gosto dela. Gosto muito dela! Quantos encontros e bons momentos nos proporcionará o futuro?
Admirei-a. Tomei-a nas minhas mãos. Senti-lhe o cheiro. Como a desejei nessa hora! Toquei-lhe ao de leve com os lábios, para depois, mais afoito, lhe sentir o gosto e a textura tão particular.
É uma paixão com sinal de fidelidade. Sou eu; é ela!

Quinta-feira, Janeiro 5

Amigos…

Já foi o tempo em que os amigos eram muitos. Sempre muitos, todos juntos.
Então, falávamos alto, para que todos os solitários nos ouvissem, sem nos importarmos com a altura das nossas gargalhadas.
Ríamo-nos de coisas que não tinham graça, só porque os outros também se riam.
Esforçávamo-nos por um lugar, porque era importante pertencer a um grupo.
Juntávamo-nos todos nas grandes causas e defendíamo-las até à exaustão, com a garra que só os novos têm.
Sofríamos com as traições de amizade, bem mais dolorosas do que as de amor.
Criávamos álibis perfeitos para os nossos pais, sem nunca ter medo das consequências.
Experimentávamos juntos um monte de sensações que só tinham sentido se fossem partilhadas.
Mandávamos cartões no Natal.
Telefonávamo-nos nos anos.
Preparávamos pequenas surpresas.

Hoje, a roda tão grande de amigos diminuiu de diâmetro, e a necessidade de estarmos juntos já não é tão constante.
Hoje, já não soltamos gargalhadas ruidosas todos os dias, e quando alguma escapa, conseguimos controlar a sua intensidade. Somos mais exigentes com as piadas, e saboreamo-las de outra forma.
Hoje, já nos contentamos com o nosso lugar dentro da roda, porque percebemos que quando nos juntamos é porque temos vontade, que cada um tem o seu lugar importante, e que a descrição também é uma qualidade.
Hoje, embora empenhados e convictos nas nossas causas, deixamos que sejam outros a defendê-las.
Hoje, suportamos as traições, em vez dos álibis temos grandes advogados, e as boas sensações experimentam-se a dois.
Hoje, percebo que um amigo tem uma importância muitíssimo maior do que tinha antigamente, como num livro que eu tinha, quadrado, com um menino sorridente em cima de uma árvore verde com maçãs vermelhas, que dizia: “Ter um amigo é bom, ser amigo de alguém ainda é melhor”.

Quarta-feira, Janeiro 4

Mulheres e telemóveis

Primeiro li que um estudo da Bild concluiu que as mulheres gostam mais de falar ao telefone do que os homens.
Logo de seguida, li aqui que o filho de Marlon Brando, depois de uma discussão com a namorada lhe enfiou o telemóvel pela garganta.
Esta recente versão de garganta funda, teve o seu epílogo depois de ser retirado o telemóvel da garganta da senhora, o que lhe permitiu negar a primeira versão de Brando segundo a qual, ela teria engolido o telemóvel voluntariamente.

Relação entre os dois artigos:
Apenas o consenso entre os intervenientes da segunda história, que a razão da briga, era a tentativa de Brando ver o historial das chamadas no telemóvel da namorada. Lá está … elas gostam muito de falar ao telefone. Depois não se queixem que os engolem!

Terça-feira, Janeiro 3

Ano novo

  • 2006 chegou. Vai ser um grande ano!

  • 7/6/5/4/3/2/1/ ZEEERRRRROOOOO - Tudo como dantes, fadinho de Abrantes.

  • Com ou sem passas, desejos, votos ou propósitos, o ano novo chega e tudo volta a ser como era. De certa forma é confortável que assim seja.

  • Benfica e Porto andaram à estalada. Parece que está 1-1.

  • Muito antes da descoberta da pílula do dia seguinte mas, sem as suas contra indicações morais e ou de saúde já existia o comprimido do dia seguinte: O Guronsan.

  • Não mudo nada de um ano para o outro. É um facto! Mas mudei tanto nos últimos anos! Quando raio é que isso aconteceu?

Quarta-feira, Dezembro 28

Juizinho!

De quando em vez aparece-me cada um! Desculpem, não é este o estilo aqui da “sebenta”, mas ela serve-me em primeiro lugar para exteriorizar o que sinto, mais do que o que penso.
E hoje sinto algum desdém. As pessoas têm formas estranhas de se entreter. Tomando partidos, onde tudo devia ser inteiro. Maldizendo, tentando destruir. É feio, mas creio mesmo que tenho “pena” dessas pessoas. Acaso não se dão conta do ridículo? Acaso não sabem que pequenas tricas, polvilhadas de sentimentos mesquinhos e egoístas, saem sempre derrotadas ante os grandes e verdadeiros sentires? Haja paciência! A idade dá-nos pelo menos a vantagem de já termos visto alguns filmes. E sabermos como eles acabam.

Segunda-feira, Dezembro 26

Os seis sentidos do meu Natal

Todos os meus sentidos estiveram em festa neste Natal (A bem da verdade ainda estão).

A Visão permitiu-me admirar luzes, cores, enfeites, caras de que gosto.
A Audição trouxe-me as músicas da época, as felicitações, as vozes.
O Olfacto, os cheiros da infância, da cozinha, de salas aquecidas e cheias de gente.
O Gosto, (o que o gosto gosta disto!) os sabores característicos e ricos a época.
O Tacto, o suave tocar, a pele e o beijo dos que comigo estiveram.
E o sexto, o Amor, revigorado por cada festejo do Seu nascimento, que me enche de vontade e me torna mais optimista.

Quanto aos presentes, foram de novo óptimos! Muitos daqueles que são verdadeiramente importantes para mim, estiveram…. Presentes!

Sexta-feira, Dezembro 23

A estrela

O S. José do meu presépio, há muitos anos que o perdi.
Há poucos anos, parece ontem, foi a minha Nossa Senhora.
Resta-me o Menino Jesus.
O meu Natal ficou baço e sem lustro.
Até que me concentrei na estrela dourada que ponho em cima do presépio, que com o seu calor me enche a casa, porque a sua ternura é imensa, a sua luz ofuscante e a sua alma permanece em mim.
O segredo está em procurar uma qualquer estrela, e pô-la a brilhar...



Bom Natal

Desculpem, mas vou ali e já venho!

Feliz Natal.

Quinta-feira, Dezembro 22

Pois é, mas...

Desabafos II

Tenho uma filha de dez anos que adora futebol.
Ahhhhhhhhh…
É verdade. Adora.
O raio da miúda é engraçada, anda sempre com a bola nos pés a rasgar dias e sorrisos.
De vez em quando, numa feminilidade e profundidade extremas, faz-me perguntas que me apertam o coração.
É que aos dez anos, acho que me estou a repetir, tudo tem outra dimensão…
São assim, os meus filhos, cheios de vida e alegria para me dar, porque sabem que ás vezes me falta.
São o reflexo com alma própria de um passado ausente mas sempre presente.

Quarta-feira, Dezembro 21

Será, ou não?

"Criámos a época da velocidade, mas sentimo-nos enclausurados dentro dela. Os nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos; a nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos muito pouco." Charles Chaplin

De que fugimos? Porque tentamos fazer da vida uma equação matemática? Se tudo reduzimos ao conhecimento e à inteligencia e estes nos levam ao psiquiatra, não será pouco inteligente o caminho que escolhemos?

Parada e resposta

Desejos de Bom Natal personalizados anti "copiar e colar", ou amizade com arte.

(Original de Pedro Carmo)

Terça-feira, Dezembro 20

Isto vai de mal a pior!

Estava eu a comentar as nabiças da concorrência, quando dou com isto:




Haja decência, senhores!

Desabafo

Tenho um filho de doze anos que não gosta de futebol.
Ahhhhhhhh…
É verdade. Não gosta.
Agora o que eu não compreendo é porque é que o meu filho, por gostar mais de livros do que da bola tem que ser o especial, o diferente, aquele que…
Se ele gostasse de andar de skate no Norteshopping só em tanga de leopardo não era diferente, era porreiro, cool, e toda a gente sorria quando se lembrasse dele.
Tenho na garganta um nó que não consigo desatar. É o meu lado materno a falar, a sentir a angústia de um filho, que é sempre o último a ser escolhido para os jogos nas aulas de ginástica. Pois é evidente, óbvio, claro, se ele não gosta de fazer ginástica…
Mas com doze anos nada é assim. Tudo tem uma dimensão trágica e tudo magoa profundamente.
Resta-nos dar beijinhos, e esperar que passe…

Ponto de encontro

Vejo pouca televisão. Vai perdendo qualidade ou sou eu que a prefiro procurar noutros sítios. Lembrei-me no entanto de um programa que me deixou saudades: O “Ponto de encontro” da sic. Vá lá, riam-se! Mas gostava de ver. De uma forma completamente diferente dos ditos “reality shows” de hoje, ali eram expostos, sentimentos verdadeiros, de uma forma pouco ou nada trabalhada. As pessoas queriam reencontrar-se, o canal de tv, proporcionava-lhes isso, e nós espreitávamos.
Eram lágrimas verdadeiras, feitas de lembranças, de ausências, de sofrimentos prolongados. Pode-se discutir o nosso gosto em entrar na intimidade dessas pessoas, mas não a utilidade do seu resultado. Porque sou como sou, gostava de ver aquilo. E até o papel do apresentador, Henrique Mendes, era fabuloso. Calmo, amigo, cúmplice, verdadeiro.
Nos tais “shows de famosos” de hoje, os sentimentos são explorados, aprisionam-se as pessoas, para que do seu forçado e intenso contacto contra-natura, surjam episódios emocionais, frutos do desequilíbrio dos intervenientes e ou das situações.
Além disso, temos a Júlia Pinheiro e a Teresa Guilherme. Peritas a falar com animais de diversas espécies, são elas próprias aves de rapina dos tais sentimentos provocados.
Se por um momento conseguirmos imaginar a Teresa Guilherme a apresentar o Ponto de Encontro, ser-nos-á fácil ouvi-la: “Então, D. Rosa, já não via o seu irmão vai para trinta anos, mas isso agora não interessa nada…Mas diga-me, nesse tempo todo quantos parceiros sexuais teve?”

Segunda-feira, Dezembro 19

N., decerto pensaste bem...

Ontem, ao anunciarem o seu futuro casamento, fizeram os amigos tão felizes quanto estavam eles próprios!
Felicidades meninos.

A partilha

Hoje estou tão feliz!
A sério, dormi bem, acordei bem disposta e ainda não parei de sorrir,
O sol brilha, a vida é bela, há alegrias que quero repartir.
Porque…
Porque tenho amigos!
Os meus amigos estão felizes.
E isso chega-me.
Qual presente, qual pai Natal, qual rena a brilhar.
Hoje, para mim, já é Natal.

Sexta-feira, Dezembro 16

Silêncios

Foi pouco tempo depois das autárquicas. Um restaurante na hora do almoço. Na mesa ao lado, aquilo que me pareceu a cena típica do almoço do filho com o pai divorciado. Silêncio. Batatas fritas. Mais silêncio. Complicado. Foi o filho que tentou desbloquear a situação:
-Pai, porque é que concorreste à Câmara de #$/)%, se já sabias que ias perder?
- …
Mais silêncio. Mais complicado. Mais batatas fritas.

Ser amigo é: Dizê-lo! (Continuação)

Hoje de manhã, no messenger:

(Mané) diz:
Bom dia Bigotte

Miguel diz:
eia!

Miguel diz:
tás bom?

(Mané) diz:
yep

(Mané) diz:
as tuas msgs continuam a ser do melhor!!!

Miguel diz:
mas tu não sabes a razão para elas

Miguel diz:
queres saber?

(Mané) diz:
claro q quero. diz lá

Miguel diz:
http://voualiejavenho.blogspot.com/2005/12/ser-amigo-diz-lo.html

Miguel diz:
vai lá ver

Miguel diz:
percebeste agora?

(Mané) diz:
tou a ler

(Mané) diz:
Grande lição Meu!

(Mané) diz:
Por falar nisso já recebes-te a minha msg?

Miguel diz:
já... mas foi só à pouco

Miguel diz:
e as respostas já lá estavam desde ontem

(Mané) diz:
ainda vai a tempo?

Miguel diz:
posso fazer uma adenda!

(Mané) diz:
OK. agradeço

(Mané) diz:
olha eu gosto muito dos MEUS AMIGOS E JA AGORA DEIXA-ME DIZER_TE que és pertença desse grupo restrito

(Mané) diz:
não é graxa

Miguel diz:
é lindo. Bês??? Nao doeu nada!

Miguel diz:
lol

(Mané) diz:
nunca doi. por vezes não e necessári manifestarmos verbalmente aquilo que sentimos pelos nossos AMIGOS basta que eles o sintam

Miguel diz:
também é verdade....mas por partirmos desse principio, nunca o dizemos, certo?

(Mané) diz:
100% de acordo

Miguel diz:
Vá lá... um abraço

Miguel diz:
até logo!

(Mané) diz:
até logo!
=====================
P.S.: A mensagem dizia: "Amo-te"

Quinta-feira, Dezembro 15

Ser amigo é: Dizê-lo!

Uma coisa que sempre me fez confusão ( a mim claro, um emotivo e sentimental), foi a dificuldade do ser humano em demonstrar a sua afectividade por alguém. Muito mais verbalizá-la! Pior ainda quando falamos de afectos no masculino. Amigos. Sempre gostei de contrariar essa tendência e de, se possível, ir contra essa ideia, na prática. Alguns amigos, já me aprenderam a conhecer com essas coisas, outros ainda não. De todo! Confirmando o princípio geral, dão-se mal com as manifestações verbais da amizade. Hoje resolvi fazer melhor: Utilizando a função "Enviar para vários", fiz seguir a seguinte mensagem para 10 amigos escolhidos de forma aleatória entre aqueles a quem realmete prezo muito: "Gosto muito de ti". E pronto. Seguiu a mensagem e eu fiquei, no restaurante, à espera do feed-back com um indisfarçável sorriso.
10 .. eu disse 10.. Atente-se nas respostas:
1 - "E eu muito de ti ..."
Ganda Jorge! Complexos, só os vitamínicos!
2 - "Tás bem?"
Terá pensado: O que será que se passa com este gajo?
3 - "Vamos beber um copo logo?"
Creio que pensou: Este tipo deve estar a precisar de falar.
4 - "Bebe água!"
Mania. Foi só um finito!
5 - "Hey Miguel! How are you? Can you pls type in english?"
Oops!
6 - "Olha lá... Mandaste-me uma mensagem por engano!"
Ok, ok.. realmente ... nem te curto assim tanto!
7 - "Isto é para os apanhados?"
Tipo: Apanhado, és tu!
8/9/10 - Ainda não responderam. Talvez nunca o façam...Ou talvez um ou outro telefone logo, "só para saber se está tudo bem"!
Alguém me consegue explicar isto?

p.s: Rapazes, se aparecerem por aqui e lerem isto, não se esqueçam que gosto MUITO de todos!

Atenção às costas!

Ontem, tive uma conversa com uma amiga que depois de um início de vida profissional em que mudou de emprego muitas vezes, estabilizou e já leva muitos anos de casa.
Perguntando-lhe o que a levara a tal mudança de procedimento, sabendo que tem "mercado", ela disse-me:
Olha, Miguel, experiência de várias firmas, eu já tive. Em todo lado vi coisas boas e coisas más. Aqui, pelo menos, eu já sei quem me quer lixar!

Quarta-feira, Dezembro 14

Fliz Ntal???

Recebi uma mensagem no telemóvel que dizia:
Fliz Ntal!


Fliz Ntal???
No poupar é que está o ganho.
Vou responder:
Obrgd. P’ra ti tb.
N/ t jkeças d ver as ilminações.
São linds d mrrer.
Tem jinhos, pais ntais, azvinho, até tem uma N. Sra e 1 S. Jsé com 1 Mnn. Js nas plhinhs dtd.
E já agora, aposto que tens um pai natal horroroso a subir pela varanda, ou pela janela, empoleirado numas escadinhas ridículas.
Entope-te com bolo-rei e engasga-te com a fava.


Por amor de Deus...

Terça-feira, Dezembro 13

Eu não comento...

... apenas transcrevo esta notícia da TVI

"Um homem de 22 anos foi, esta terça-feira, detido pela PSP de Viseu, por suspeitas de ter violado a própria filha com apenas um mês e meio. A notícia é avançada pela Agência Lusa, que cita fonte policial.(...)
O suspeito já havia sido referenciado por alegados actos de natureza semelhante contra menores do sexo feminino, em 1999, 2000 e 2005, ainda de acordo com o oficial da Polícia.
Como não houve flagrante de delito, «o indivíduo não ficou detido, procedendo-se apenas à sua identificação», explicou também o comandante. O presumível autor da violação foi entregue à Polícia Judiciária de Coimbra, entidade legalmente competente para realizar o inquérito neste tipo de crimes."

Qual foi a melhor colheita? (II)


Tenho recebido algumas sugestões, sobre o assunto em causa. Para já, à frente vai este na sua versão de 99.


Beba aqui um copito!

Qual foi a melhor colheita?

Já hoje li ali uma referência à dita geração rasca. Não foi sempre assim? Não existe sempre essa tendência de amesquinhar a geração subsequente? Não se vulgarizou a expressão “conflito de gerações” para simples e naturais diferenças de opinião?
Não é verdade, no entanto que a perda de “qualidade” de cada nova geração seja um facto.
Nós moldamos a geração seguinte. Se ela é fraca, somos nós, como pais, educadores e fundamentalmente como exemplos que falhámos naquilo que devia ser essencial: Preparar as crianças e jovens para um mundo que tentámos deixar melhor do que aquele que nos foi entregue. Um pouco a noção do testemunho. Cuspir para o ar, é uma tendência que temos, bem como a crítica fácil. Se de cada vez, que formos tentados a criticar qualquer comportamento generalizado entre as novas gerações, por ele nos sentirmos responsáveis, bem como orgulhosos quando por outro nos surpreendermos, seremos diferentes. As novas gerações também. O mundo também.
Mas… lá estou eu a sonhar outra vez, não é?

Segunda-feira, Dezembro 12

Quê guê Dê

Li um artigo no jornal que me prendeu especial atenção, deve ser da época.
Era mais ou menos assim: todos nascemos com células de fé. Assim como em certas doenças que desencadeiam uma anormal produção de células, ou a deficiência das mesmas, também a fé está lá arrumadinha, à espera de um eventual desenvolvimento. Ás vezes, desenvolve-se naturalmente, outras vezes, é algo que as faz desenvolver. O artigo continuava por aí adiante, frisando que caminhos se deveria ou não seguir para o desenvolvimento correcto das nossas células.
Poderia ter tido um fim brilhante, salientando a beatice como o estado agudo da doença.
Tenho que confessar que me preocupa um bocadinho esta questão das células, quando mexem com coisas tão abstractas, delicadas, pessoais e as tornam tão vulgares.
Por outro lado também pode ser bom. Ao vulgarizar, também se tem maior facilidade em falar nelas.
Descobri então outra coisa que achava eu, era inata, depois percebi que não.
É o dar sem receber em troca.
Quando dou, dou.
Simplesmente. É isso mesmo. O parágrafo não tem continuação. É assim tão invulgar?
Definitivamente não entendo.
É uma necessidade especial que as pessoas têm de cobrar subtilmente o que deram de uma forma tão directa.
Então, o suposto devedor da coisa que lhe foi dada, fica assim como que obrigado a devolver algo. Assim, sem mais nem porquê. Quando foi para dar, não lhe pediram opinião e agora forçam-no a retribuir
Sinceramente não entendo.
Não acho que se trate sequer de uma faceta mais religiosa, moralista ou de adequada conduta social. Só me parece que devia ser inato.
Por outro lado, fiquei contente. Com a manipulação genética, daqui a uns anos, além de estarmos todos bons, vamos ser todos bons.
Espero ler no próximo artigo que a generosidade e o desprendimento também são células nossas em desenvolvimento, e que só alguns têm um Qgd – lê-se quê guê dê - (queficiente de generosidade e desprendimento) elevado. (Achei a sigla interessante, até porque em certas doenças que conheço gasta-se imenso papel!)

Domingo, Dezembro 11

Assunto encerrado

Por vezes infiro que devia ser mais razão e menos paixão. Depois sinto que não.

Sábado, Dezembro 10

Sabes aquela linha que separa o céu do mar?
Era lá que queria viver.
Ter o mar como chão e o céu como infinito,
que a minha vontade não tem tecto.
Sabes o pó que fica no ar quando se abre a janela?
Era como ele que eu queria ser
Do lado de fora alma e por dentro amor,
que o corpo vai-se, só fica a luz.
Sabes tudo aquilo que não tem preço?
Eram assim os meus dias
Trocavam-se risos ou lágrimas,
toma lá dá cá
e éramos todos ricos.

Obras

Fiz obras!
O tempo é de crise! Podia ter feito saldos. Não. Convidei a prima a enviar-me parte das colecções que vai produzindo e que era pena não terem montra à altura. Assim, reforço o estaminé com artigo de qualidade. Teremos a partir de agora e com a regularidade que a prima quiser, uma colecção diferente... Bem vinda, Leonor!

Quarta-feira, Dezembro 7

A pronúncia do Norte

Voltei a ouvir vozes! Isto começa a tornar-se um hábito. Pena é que não sejam mais tipo “vozes da rádio” e sem pronúncia do Porto. Não que eu tenha nada contra esta, de que até sou fervoroso praticante, mas assim tenho sempre tendência a achar que conheço e/ou a tentar descobrir quem é. Vejamos… Não conheço ninguém com uma acentuada pronúncia açoriana… assim, caso ouvisse as vozes, com tão melódico cantar, até tenderia a levá-las mais a sério. Outra coisa que me anda a consumir é o “balance”! Parece que as ouço melhor do lado direito! Terão elas botão para “calibrar”??!! Fica aqui o desafio: Se têm, onde é?
Outra coisa… Como posso responder às vozes? Tenho desde à tempos um ajudante de campo no meu escritório, que já evita conversas muito demoradas comigo. Noto isto principalmente após eu ter começado a responder às vozes alto e bom som. Para além de que as vozes nunca fizeram conversa, o que indica que ou não ouvem ou, não ligam ao que eu lhes digo. Não é nada a que já não esteja habituado. AS pessoas têm essa tendência estranha. Ou não me ouvem, ou fingem que não ouvem, ou não me dão grande importância! Curioso!
Desta forma, uma vez que desconheço os hábitos das “vozes”, arrisco a acreditar que são clientes diárias da blogosfera, e que m