quinta-feira, janeiro 5

Amigos…

Já foi o tempo em que os amigos eram muitos. Sempre muitos, todos juntos.
Então, falávamos alto, para que todos os solitários nos ouvissem, sem nos importarmos com a altura das nossas gargalhadas.
Ríamo-nos de coisas que não tinham graça, só porque os outros também se riam.
Esforçávamo-nos por um lugar, porque era importante pertencer a um grupo.
Juntávamo-nos todos nas grandes causas e defendíamo-las até à exaustão, com a garra que só os novos têm.
Sofríamos com as traições de amizade, bem mais dolorosas do que as de amor.
Criávamos álibis perfeitos para os nossos pais, sem nunca ter medo das consequências.
Experimentávamos juntos um monte de sensações que só tinham sentido se fossem partilhadas.
Mandávamos cartões no Natal.
Telefonávamo-nos nos anos.
Preparávamos pequenas surpresas.

Hoje, a roda tão grande de amigos diminuiu de diâmetro, e a necessidade de estarmos juntos já não é tão constante.
Hoje, já não soltamos gargalhadas ruidosas todos os dias, e quando alguma escapa, conseguimos controlar a sua intensidade. Somos mais exigentes com as piadas, e saboreamo-las de outra forma.
Hoje, já nos contentamos com o nosso lugar dentro da roda, porque percebemos que quando nos juntamos é porque temos vontade, que cada um tem o seu lugar importante, e que a descrição também é uma qualidade.
Hoje, embora empenhados e convictos nas nossas causas, deixamos que sejam outros a defendê-las.
Hoje, suportamos as traições, em vez dos álibis temos grandes advogados, e as boas sensações experimentam-se a dois.
Hoje, percebo que um amigo tem uma importância muitíssimo maior do que tinha antigamente, como num livro que eu tinha, quadrado, com um menino sorridente em cima de uma árvore verde com maçãs vermelhas, que dizia: “Ter um amigo é bom, ser amigo de alguém ainda é melhor”.

13 comentários:

deep disse...

Também me lembro de ter tido esse livro...

Anónimo disse...

Entretanto novas amizades vão aparecendo e algumas das antigas são cada vez mais fortes...
R.S.

moonj_Rita disse...

Chega uma certa altura em que cada um deve seguir o seu caminho, mas os amigos estão sempre lá.

Anónimo disse...

Mas tambem é preciso ter atençao aos falsos amigos, que só pensam no que vao receber de troca.

Ana disse...

.... Mais vale poucos e bons!!

Ernesto disse...

pois é.

a vida filtra as pessoas.

Freddy disse...

Fiquei c saudades de alguns, principalmente de quem me virou as costas...

Beijitos da Zona Franca

ana disse...

Muda-se de sonhos.
Muda-se de objectivos.
Mas não se muda de verdadeiros amigos.

nikie disse...

bem, consigo reconhecer-me na primeira parte do post- no ter muitos amigos, das gargalhadas, do estar sempre junto...

axo ko txto está msm fantástico.. parabens!
so gostava de faxer uma pergunta- axa k essa evoluçao foi positiva? e como é possivel dar ainda maior importÊancia aos amigos?

jits gandes

alyia disse...

Há amigos de quem tenho muitas saudades... :( há outros que não consigo lembrar-me... :( gosto muito dos que tenho :)sabe bem ter amigos, né?!

xana disse...

Também tive esse livro...

Esse livro ainda existe..
e há sempre Um Amigo.....
aquele que sempre ao teu lado estará!

gostei de aqui parar...

ivan (aka bandinho) disse...

se ja nao fazem parte, é porque ja nao interessam... acho que o tempo é mesmo o melhor conselheiro, se ele se encarregou de afastar alguns amigos, é porque nao eram amigos de verdade.

dcg disse...

Sempre tive poucos amigos e sempre julguei ser suficiente porque os que tenho considero-os valiosos.
Belo post!