domingo, março 12

Camisolas novas

Uma série de acontecimentos impressionantes aconteceu nos últimos dias a e entre pessoas que me são caras.

Não sei com quantos já verbalizei a costumeira constatação destas alturas: “É nestes momentos que tudo pomos em perspectiva, em que reequacionamos a nossa escala de problemas, em que percebemos a importância que damos ao supérfluo”. Com alguns não o fiz, mas é fácil perceber que mais do que nunca, todos pensamos o mesmo.

Incrível a violência de algumas situações. Questões intemporais, de um ser humano que nunca perceberá os mistérios do mundo em que vive, ficam no ar. Porquê? Porquê a ele, ela ou eles? Porquê agora? Como pode ter acontecido, ou como vai ser agora?

A dura certeza de que nada se pode fazer para evitar o que aconteceu, a impossibilidade de alterar factos, transporta-nos para outras dimensões. Como ajudar, como acompanhar, que fazer por ele, ela ou eles?

Quando são estes sentimentos que nos ocupam a alma e mente, deixa de haver espaço para o menor. Existe uma espécie de purificação resultante dos factos e do que eles em nós mudam.
O que acontece em muitos casos? O ser humano não domina bem este estado de espírito. Foge-lhe ao costumeiro controlo. Procura rapidamente equilíbrios que o voltem a possibilitar dominar a situação. É compreensível. É humano.
No entanto as grandes conquistas feitas quando sobre o efeito emocional destes acontecimentos, prologam-se pela vida fora. Na união das pessoas, no reposicionar de prioridades.
Como por magia, algumas perguntas para as quais procurávamos resposta há muito tempo, desaparecem. Não, não encontram respostas, apenas desaparecem as questões, porque insignificantes.


Mais fortes do que nunca, sabemos então que os tais factos, de natureza de todo incompreensível, conseguiram mudar-nos. Que estamos diferentes e avançamos uns quantos passos. E dedicamos esses passos a quem, mesmo sem nos conhecer, mesmo sem querer e sem saber, esteve na sua origem.

Novos desafios nos esperam nos próximos dias, alguns deles aqui tornados públicos.
Venham eles, que temos vontade de os atacar, com estas novas camisolas.

7 comentários:

maria disse...

Por acaso, há problemas que temos que quando comparados com outros de maior dimensão nos fazem parecer ridiculos e redimensionam a nossa vida...

xana disse...

Sábias palavras, Miguel...
Sinais de tempo..e de crescimento!!

E sim, venham eles e... vamos a isso! Com novas camisolas!

cris disse...

venham sereias e teremos que amarrar os marinheiros , venha o adamastor ... se nem ao velho do restelo demos ouvidos a nossa circunnavegaçao nunca acaba.
talvez um pouco zonzos por vezes!!!!

mas em breve chegará o cabo da boa esperança e nós com as camisolas novas talvez já um pouco sujas mas sempre nossas

Ana disse...

bénha!!!

izzolda disse...

A isso chama-se relativizar. E só acontece realmente quando surgem esses acontecimentos a que chamas "impressionantes". Por isso é que acho bastante importantes as comparações...para aprendermos a pôr as coisas na devida perspectiva! Isso só nos ajuda a vestir essas camisolas novas de que falas. Temos tendência a dar demasiada importância aos nossos pequenos problemas...até aparecer outra questão que relativiza tudo (nossa dos dos nossos).

izzolda disse...

nossa das dos nossos=nossa OU dos nossos :)

Sara MM disse...

vistas assim as coisas.........................