sexta-feira, abril 13

Hoje é dia de festa.

Hoje é dia de festa. Vesti o meu coração com os sentimentos mais bonitos que herdei e enchi a minha alma de riso e alegria, para celebrar o presente que há setenta anos Deus deu ao mundo: a minha mãe.
Não resisti, também não tenho que resistir, e fui abrir a sua gaveta, daquela mesa agora sem brilho e fui encontrar bocados de si. Um a um fui tocando, sentindo os envelopes macios como a sua pele, mãe, tão brilhante, tão macia de seda pintada por manchas de tempo. Depois, aquela caligrafia de palavras pensadas com toda a ternura e doces, tão doces mãe, como os seus olhos cansados de azeitona brilhante, tão pretos, mas que conseguiam ver o cor de rosa do sorriso dos outros, ir buscar ao fundo de cada um as cores escondidas e fazê-las pintar a vida, numa confiança nas pessoas e toda a fé no mundo.
Depois, abri a caixa dos lenços. Aquela que era dos charutos do pai e que a mãe forrou com um tecido tão fininho de bolinhas brancas. Ainda tem a renda a debruar a caixa; não está perfeita, nem é preciso, foi forrada por si. E aí é que se dá o mistério.
Ao abri-la, com todo o cuidado para não estragar, solta-se um perfume a jasmim, suave e inconfundível que a mãe deixou em mim.
É sempre o mesmo desabrochar e quer seja Abril ou Novembro a mãe será sempre a primavera a nascer no meu coração.
Parabéns, minha querida Mãe.

7 comentários:

Dulce disse...

Parabéns também por este texto tão lindo, Leonor. As nossas mães têm a mesma idade... e a mesma força.

Pedro Gamboa disse...

Navegar tem destas coisas, quando menos esperamos um texto toca-nos fundo. Não vou dizer nada sobre este teu post nao mereçe qualquer comentário meu, é demasiado teu. Muito bonito. Como vês amigo voltei finalmente.

Forte abraço

antónio paiva disse...

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por tudo quanto aqui se expressa e pela forma como se expressa

vocês estão nomeados lá na nossa pastagem, vejam do que se trata e façam o que entenderem por bem

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Boa semana

kurika disse...

Não descreveria melhor o que sinto pela minha Mãe.

Lindo...Lindo.

Tocou-me bastante.

Um beijinho

Miguel disse...

No outro dia, cheguei a casa e perguntei:
- Que cheiro é este?
- Olha, está ali a razão; trouxe de casa da Leonor - responderam-me.

Apesar de nunca ter conhecido a tua mãe e de os nossos pais se conhecerem de meninos, desde que te conheci, um bocadinho desse cheiro entrou em minha casa, e com ele, através de ti, o exemplo da tua mãe.

Bjinho

xana disse...

Sinto, leonor, esse mesmo aroma de que falas, cada vez que tu escreves, cada vez que te leio, cada vez que tu vens contar coisas da tua mãe...
Sinto.

Sente tu agora um forte e suave abraço. Hoje e sempre.

xana

kurika disse...

Voltei, para reler e guardar este texto.

Mais uma vez... muito bonito.

Bjinhos