segunda-feira, dezembro 12

Quê guê Dê

Li um artigo no jornal que me prendeu especial atenção, deve ser da época.
Era mais ou menos assim: todos nascemos com células de fé. Assim como em certas doenças que desencadeiam uma anormal produção de células, ou a deficiência das mesmas, também a fé está lá arrumadinha, à espera de um eventual desenvolvimento. Ás vezes, desenvolve-se naturalmente, outras vezes, é algo que as faz desenvolver. O artigo continuava por aí adiante, frisando que caminhos se deveria ou não seguir para o desenvolvimento correcto das nossas células.
Poderia ter tido um fim brilhante, salientando a beatice como o estado agudo da doença.
Tenho que confessar que me preocupa um bocadinho esta questão das células, quando mexem com coisas tão abstractas, delicadas, pessoais e as tornam tão vulgares.
Por outro lado também pode ser bom. Ao vulgarizar, também se tem maior facilidade em falar nelas.
Descobri então outra coisa que achava eu, era inata, depois percebi que não.
É o dar sem receber em troca.
Quando dou, dou.
Simplesmente. É isso mesmo. O parágrafo não tem continuação. É assim tão invulgar?
Definitivamente não entendo.
É uma necessidade especial que as pessoas têm de cobrar subtilmente o que deram de uma forma tão directa.
Então, o suposto devedor da coisa que lhe foi dada, fica assim como que obrigado a devolver algo. Assim, sem mais nem porquê. Quando foi para dar, não lhe pediram opinião e agora forçam-no a retribuir
Sinceramente não entendo.
Não acho que se trate sequer de uma faceta mais religiosa, moralista ou de adequada conduta social. Só me parece que devia ser inato.
Por outro lado, fiquei contente. Com a manipulação genética, daqui a uns anos, além de estarmos todos bons, vamos ser todos bons.
Espero ler no próximo artigo que a generosidade e o desprendimento também são células nossas em desenvolvimento, e que só alguns têm um Qgd – lê-se quê guê dê - (queficiente de generosidade e desprendimento) elevado. (Achei a sigla interessante, até porque em certas doenças que conheço gasta-se imenso papel!)

2 comentários:

Miguel disse...

Tenho procurado...e francamente não conheço "quê guê dê" como o teu!

Nocas disse...

De facto, agora que falas disso, começo a pensar que andamos todos abaixo da média nesse qgd....
Quanto a células de fé...hmmm....as minhas devem andar bem escondidinhas e em estado vegetativo!