sexta-feira, junho 1

Arquipélagos




Existe uma série de ditos que, por conhecermos desde sempre, nunca pomos em causa.
Um deles é, para mim, o "Nenhum homem é uma ilha".


Ainda que juntos formem arquipélagos densos, o homem no seu íntimo é só. Tem o seu próprio habitat, constituído por uma flora educacional, uma fauna civilizacional, e uma atmosfera própria. Sente de forma diferente dos seus semelhantes e por mais que destes se rodeie, constrói silogismos, conclui, sofre e ama de forma diversa. Tem gostos, hábitos, sentidos e padrões diferentes dos demais.


São as pontes o segredo da felicidade. É através delas que cada ilha se liga à outra. Acontece que em maior parte dos casos, os recursos de engenharia estão totalmente ocupados em tornar a ilha auto-suficiente. E quanto mais vemos as ilhas enfeitadas e cheias de construções recentes, melhor ficamos a saber que lhe faltam as pontes e que a sua biodiversidade está em perigo... Todos os homens são ilhas. O esforço de ligação entre eles deveria ser prioritário, mas as obras públicas, ufanas, vaidosas e egoístas, tentam mostrar a superioridade em relação ao vizinho. Perde a ilha, perde a vizinhança, perde a humanidade. E todos precisamos de todos, porque afinal, somos ilhas.

10 comentários:

Canochinha disse...

Uma boa analogia... Gostei da forma como a desenvolveste:)

nocazz disse...

"As pessoas são solitárias porque constroem paredes em vez de pontes"

Sr. bloguista desconhecia esta sua queda para a escrita...
Parabéns, tem muito jeito ;)

rascunhos disse...

Excelente Miguel!Gostei imenso da forma como desenvolveste a ideia.


Bom fds

bj

foryou disse...

É que todos deviamos saber nadar bem para podermos saltitar de ilha em ilha.

Esse pensamento está lindo Miguel :)

Phil disse...

às vezes penínsulas...

Margarida Atheling disse...

Somos mesmo. Somos todos ilhas.
E eu cá também prefiro as pontes às grandes obras de fachada. Mas chamam-me muitas vezes parva por isso.

Bjs

Anónimo disse...

Por vezes - um pouco como agora -, sinto que me tenho tornado uma ilha que tem criado as suas próprias barreiras e que vive na ilusão de que é autosuficiente... obrigada por contribuíres para que isso não aconteça de todo. Gosto de te "ver" pelo "Letras". Beijinhos

Ah! Gostei da metáfora... que é mais uma imagem!

deep

tiago lila disse...

e só através das pontes é que podem chegar, a cada ilha, novas especiarias, as novidades da mecânica e da engenharia, as curiosidades do mundo, sorrisos que passam e que ficam. :) adorei o texto.

Xico disse...

Perfiro ver-nos mais como penínsulas. Um istmo é mais seguro...
;)

Rita Guerra disse...

Metáfora excelente. E se calhar todos deviamos repensar se tornar a ilha auto-suficiente é mais importante que criar ligações com o exterior. Vejo aqui também uma critica ao consumismo.

Adorei ^^